A iluminação do prédio do Departamento de Ciência da Computação (DCC), no Instituto de Ciências Exatas (ICEx) da UFMG, durante o mês de janeiro, marca a participação do DCC nas ações do Janeiro Branco, campanha nacional dedicada à conscientização sobre a importância do cuidado com a saúde mental. Mais do que um elemento visual, a iniciativa funciona como um convite à reflexão sobre o bem-estar emocional e a necessidade de fortalecer redes de apoio no ambiente universitário.
Para o chefe do DCC, professor Heitor Ramos, a ação simboliza um compromisso que vai além da campanha. “Ao iluminar o prédio do DCC no Janeiro Branco, reafirmamos que a saúde mental deve ser tratada como parte essencial da vida acadêmica. Em um cotidiano marcado por exigências e responsabilidades, é fundamental que estudantes e servidores saibam que não precisam enfrentar dificuldades sozinhos e que existem espaços de escuta e acolhimento na universidade”, afirma.
No ICEx, esse cuidado se concretiza por meio do Espaço de Acolhimento e Promoção de Saúde Mental (EspaçAMente), um serviço institucional voltado à escuta, ao acolhimento e à orientação da comunidade. O espaço atende estudantes, docentes, técnicos administrativos, terceirizados e bolsistas com vínculo formal com o instituto, oferecendo um ambiente seguro para diálogo e apoio em momentos de dificuldade.
De acordo com a servidora Luana Giarola Contiero, responsável pelo setor, o EspaçAMente surgiu a partir da identificação de demandas crescentes relacionadas à saúde mental, como o aumento de pedidos de trancamento de matrícula, além da necessidade institucional de criar um ponto de apoio permanente para a comunidade acadêmica. “O atendimento pode ser realizado com ou sem agendamento prévio, com horários divulgados a cada semestre no site do ICEx”, conta.
O apoio oferecido não substitui acompanhamento psicológico, mas se baseia na escuta qualificada e na orientação. Entre as demandas mais frequentes estão questões relacionadas à organização da vida acadêmica, planejamento de estudos, escolhas profissionais e desafios pessoais. Em situações mais graves, a equipe orienta sobre a busca por atendimento especializado e sobre os serviços disponíveis na UFMG.
Além do atendimento individual, o EspaçAMente desenvolve ações coletivas de promoção da saúde mental, como recepções de calouros e atividades temáticas. Em 2025, o espaço realizou a série “Sem Comentários”, que abordou a ditadura militar brasileira, ampliando o debate sobre memória, direitos e saúde mental no contexto universitário.
Segundo Luana, os efeitos do trabalho se refletem no retorno da comunidade atendida. “Estudantes nos relatam melhora na autoestima, maior clareza em relação às próprias escolhas e avanços na organização acadêmica. Esses relatos reforçam a importância de iniciativas institucionais que reconhecem a saúde mental como parte fundamental da permanência e da qualidade de vida na universidade”, afirma.
A atuação do EspaçAMente é articulada com diferentes setores da UFMG, como o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão, a PRAE, a FUMP, a Comissão Permanente de Saúde Mental, a Ouvidoria e serviços da área de Psicologia, ampliando as possibilidades de apoio à comunidade.
Heitor destaca que “o cuidado com a saúde mental é um processo contínuo e coletivo, essencial para a construção de um ambiente acadêmico mais saudável, acolhedor e humano”.










