DCC/UFMG integra rede internacional voltada ao desenvolvimento de soluções em cibersegurança
Diante do avanço acelerado das ameaças digitais, a cibersegurança deixou de ser um desafio restrito a especialistas e passou a ocupar um lugar central nas estratégias de governos, empresas e instituições de ensino. No Brasil, esse cenário se reflete em números crescentes. Em pouco mais de um ano, a média mensal de ataques cibernéticos contra órgãos públicos saltou de cerca de 1.500 para mais de 4.600 notificações, segundo dados do governo federal. No setor privado, o aumento da exposição também é evidente, com a maioria das empresas relatando maior risco de fraudes, phishing e roubo de identidade. É nesse contexto que iniciativas baseadas na cooperação internacional ganham relevância, ao propor respostas que vão além de esforços isolados.
Uma dessas iniciativas reúne universidades do Brasil, Alemanha e Nova Zelândia em uma rede de colaboração científica voltada ao desenvolvimento de soluções para mitigar ataques de negação de serviço distribuídos (DDoS), utilizando técnicas de Inteligência Artificial. Mais do que o avanço tecnológico em si, o projeto evidencia como a articulação entre instituições de diferentes países tem se tornado fundamental para enfrentar ameaças globais, especialmente em áreas em que o acesso a dados, infraestrutura e expertise é distribuído de forma desigual.
No Brasil, a participação do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (DCC/UFMG), coordenada pela professora do departamento Michele Nogueira, insere a universidade em um fluxo contínuo de troca de conhecimento com centros de referência internacionais. “Além do DCC/UFMG, a rede integra instituições como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a Universidade Federal do Rio Grande, o Max Planck Institute for Informatics, na Alemanha, e universidades neozelandesas reconhecidas por sua atuação em Inteligência Artificial, como a University of Waikato e a University of Wellington. A cooperação ocorre no âmbito do programa Conhecimento Brasil, do CNPq/MCTI, e se desdobra em projetos conjuntos, missões acadêmicas e intercâmbio de pesquisadores e estudantes”, conta a professora.
De acordo com Michele, na prática, a colaboração permite que pesquisadores brasileiros tenham acesso a recursos e ambientes de teste que não estão disponíveis localmente, além de possibilitar a validação de modelos em diferentes contextos e infraestruturas. Ao mesmo tempo, a interação direta entre equipes internacionais contribui para a formação de profissionais com uma visão mais ampla sobre os desafios da segurança digital, aproximando teoria e aplicação em escala global.
Recentemente, uma das etapas desse intercâmbio envolveu a realização da visita técnica da professora Michele Nogueira à Nova Zelândia, onde realizou atividades que incluíram palestras, reuniões de planejamento e integração entre alunos de graduação e pós-graduação. A iniciativa faz parte de um conjunto mais amplo de ações que prevê a mobilidade de docentes e estudantes entre os países, além da realização de seminários e o desenvolvimento de novos projetos colaborativos. A proposta é que essas trocas tenham efeitos duradouros, especialmente no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Inteligência Artificial e Cibersegurança, sediado no DCC/UFMG.
Ao mesmo tempo, ao fortalecer parcerias internacionais, o projeto também interage com temas estratégicos como soberania digital e resiliência de redes, ao buscar maior autonomia no desenvolvimento de sistemas de defesa e redução de riscos em infraestruturas críticas. Nesse sentido, a cooperação entre universidades não apenas amplia a capacidade técnica, mas contribui para posicionar o Brasil de forma mais competitiva em um cenário global cada vez mais dependente da segurança de seus sistemas digitais.
Segundo a professora, mais do que resultados imediatos, a rede entre o Brasil, a Alemanha e a Nova Zelândia evidencia um movimento mais amplo, o de que a produção de conhecimento em cibersegurança depende, cada vez mais, de colaboração. “Em um ambiente digital sem fronteiras, a resposta aos riscos também precisa ser construída de forma compartilhada”, afirmou.
Foto cedida pelo prof. Marinho Barcellos, da Universidade de Waikato.
Matéria baseada nas informações divulgadas no site: https://cryptoid.com.br/criptografia-identificacao-digital-id-biometria/ciberseguranca-e-a-colaboracao-que-promove-conhecimento/










