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Ciência, inovação e tecnologia
Atualizado: 15 horas 25 minutos atrás

Maracujazeiro turbinado

sex, 15/12/2017 - 09:20

O Alto Paranaíba destaca-se como tradicional região agrícola do Estado, de elevada produção alimentícia e exportação de vários tipos de alimentos para outros centros comerciais do país. Uma delas, praticada em pequenas propriedades por agricultores familiares, é o cultivo do maracujazeiro. A questão é que, nesta região, o maracujazeiro, é constantemente acometido por doenças que ocasionam redução de seu plantio e consequente aumento no custo de produção. Isto acaba refletindo no custo alto que é repassado ao consumidor final.

Pensando nisto, pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), com o apoio da FAPEMIG, desenvolveram estudos que visa o melhoramento genético do maracujazeiro. De acordo com o coordenador do projeto, Carlos Eduardo Magalhães dos Santos, o primeiro passo foi a seleção das plantas mais resistentes às doenças que ocorrem na região. Santos disse que testes foram realizados e que a pesquisa avança, com resultados interessantes. “Obtivemos resultados promissores na seleção de plantas resistentes, ou que apresentam um grau de tolerância à doença, viabilizando o cultivo com a redução na quantidade de agroquímicos a serem aplicados e consequentemente reduzindo o custo de produção. ”, explica.

Ainda, de acordo com o pesquisador, o trabalho de melhoramento genético continua com a realização de intercruzamentos entre as plantas resistentes e produtivas. O objetivo é gerar maracujazeiros com acúmulo de resistência e também desenvolver escalas de avaliação do progresso da doença.

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Categorias: Pesquisa

Nova safra de espumantes mineiros deve chegar até 2020

qua, 13/12/2017 - 08:00

Em dois ou três anos, poderemos brindar o Natal e o Ano Novo com novos espumantes produzidos em terras mineiras. Na cidade de Caldas, no sul do Estado, uvas recém-colhidas, já em fase de processamento, são promissoras.

“Para esta safra em particular, acredito que teremos espumantes com boa qualidade. Neste verão, não estão ocorrendo muitas chuvas na Serra da Mantiqueira, o que proporciona ótima maturação à uva”, afirma Isabela Peregrino, enóloga do Núcleo Tecnológico Epamig Uva e Vinho, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais. Ela estima que o volume produzido seja de 25 a 30 mil litros.

Para quem a produção de vinhos borbulhantes em território mineiro ainda é novidade, o Estado produziu o primeiro espumante em 2010, num vinhedo localizado em Andradas. A fronteira entre Minas e São Paulo já é reconhecida como um novo polo vinícola nacional, o primeiro do Sudeste.

As condições topográficas e climáticas — dias ensolarados, noites frias e solo seco — contribuem para o desenvolvimento da atividade. Mas não só: pesquisas e tecnologias desenvolvidas há décadas na vinícola experimental da Epamig têm papel fundamental.

A nova safra de uvas Chardonnay, Pinot Noir e Riesling, por exemplo, usadas na produção de espumantes e vinho branco, resulta de mudas produzidas pela enxertia de mesa. Comumente usada nos países produtores de vinho e adaptada pelo Núcleo Tecnológico da Epamig em Caldas, ela consiste na implantação de enxertos de variedades mais sujeitas a doenças e pragas em outras mais resistentes, em laboratório. Outra inovação é a dupla poda, que inverte o ciclo produtivo da videira e altera para o inverno o período de colheita das uvas destinadas à vitivinicultura.

Além de disponibilizar mudas de qualidade, desenvolver tecnologias de manejo e oferecer suporte técnico aos produtores, a Epamig atua ao longo de todo o processo de produção do vinho. Como explica a enóloga Isabela Peregrino, no caso dos espumantes, primeiramente as uvas são prensadas e o sumo obtido, chamado de mosto, passa pelo processo de fermentação. O vinho base pode levar de cinco a seis meses para ficar pronto. Depois, ele será clarificado, estabilizado, filtrado e preparado para a segunda fermentação em garrafa — a champenoise. Então, a bebida permanece em repouso por um período de dois a três anos, até que esteja pronta para o consumo.

CONFIRA AS ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS REALIZADAS EM CADA UMA DAS ETAPAS DE PRODUÇÃO DO VINHO: UVAS

Medição do grau Brix (índice de sólidos solúveis totais, principalmente açúcar), acidez total e pH.

MOSTO

Repetição dos processos anteriores e análise diária da densidade e da temperatura durante a fermentação alcoólica. À medida que o açúcar é transformado em álcool, a densidade diminui.

VINHO

Terminada a fermentação, são feitas análises de teor alcoólico, açúcar residual, pH, acidez total e acidez volátil. Ao longo do processo de estabilização, o teor de dióxido de enxofre (SO2) livre, que é o conservador adicionado ao vinho, é monitorado. Antes e depois das clarificações e filtragens, a turbidez do vinho também é analisada e ajuda a balizar a correta realização de cada uma das etapas.

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Categorias: Pesquisa

Cientistas criam moléculas que funcionam como imãs

seg, 11/12/2017 - 11:27

Imagine um imã bem grande, do tamanho de um carro! Agora tente visualizar este imã diminuindo e ficando pequenininho, do tamanho de uma molécula! Parece uma missão impossível, certo? É claro que imaginar uma molécula é inviável porque não conseguimos enxergá-las, mas os cientistas criam desenhos representativos para nos ensinar sobre átomos e moléculas.

Um pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolve um trabalho, junto com uma equipe de cientistas, para criar moléculas que funcionem como imãs. Willian Xerxes Coelho Oliveira defendeu, em 2016, a tese de doutorado “Engenharia de Cristais Aplicada na Modulação de Propriedades de Magnetos Moleculares”. O trabalho foi vencedor da categoria Química no Prêmio Capes de Teses 2017.

Nióbio

O foco principal da pesquisa de Willian Xerxes é a investigação da forma como a estrutura molecular e seu empacotamento cristalino influenciam nas propriedades magnéticas de compostos moleculares. Trabalhar com esse tema só é possível devido às técnicas da Engenharia de Cristais, dentre elas a cristalografia. “É possível manipular a forma como os átomos estão conectados em estado sólido e ver como isso interfere nas propriedades magnéticas dos materiais”, explica.

Para a tese de doutorado, Willian Xerxes voltou esforços para trabalhar com o nióbio, um metal pouco usual, porém com grande potencial de produção em Minas Gerais. A partir da década de 1950 foram descobertos pontos de mineração de nióbio no Brasil e no Canadá. Com essas descobertas, a extração cresceu muito e 93% da produção mundial ocorre no Brasil. Cerca de 70% dessa produção nacional provém de uma mina em Araxá, no Triânulo Mineiro.

“Temos a maior reserva do mundo, economicamente viável. A gente vende minério a preço baixo e recompra a preço alto. Podemos transformar esse metal – como material bruto – em outro material interessante e de grande valor agregado. Conseguiríamos exportar tecnologia ao invés de importar”, contextualiza o pesquisador.

De acordo com Willian Xerxes, o nióbio bruto já tem uma propriedade magnética muito relevante, mesmo sem manipulações representativas em laboratório. O grupo de pesquisadores da UFMG, em conjunto com cientistas da Universidade de Valência, publicou um artigo sobre o magnetismo do metal de Minas Gerais, na revista Chemical Communications, o que dá bastante visibilidade aos estudos.

Aplicabilidade

Os pesquisadores estão manipulando átomos de nióbio para que as moléculas desse material se comportem como um imã. Mas, quais a aplicações disso? Para que poderíamos usar esses “imãs-molécula” no cotidiano?

Um exemplo seria a utilização na computação e engenharia. Alguns dispositivos de memória de computadores são compostos por imãs, pois o armazenamento ocorre por meio magnético. A tecnologia está diminuindo cada vez mais esses dispositivos, consequentemente os imãs que os compõem. No entanto, Willian Xerxes explica que existe um limite para essa redução, que poderá prejudicar a capacidade magnética do componente. Esse problema poderia ser resolvido se apenas uma molécula se comportasse como um imã e pudesse ser, ela mesma, o dispositivo de memória.

“Seria uma aplicabilidade para produção de computadores quânticos, que trabalham em nível de átomos e têm altíssimo poder de memória e processamento. Cada molécula funcionaria como um dispositivo interior de memória ou processamento de informação. Não precisaríamos dos imãs clássicos que precisam se diminuídos até o limite”, explica o pesquisador.

Os computadores comerciais também poderiam ser mais potentes, com o mesmo tamanho que têm hoje ou poderiam ser criados computadores bem pequenos – como nanorobôs – em que a molécula seria o dispositivo de memória.

Willian Xerxes e outros pesquisadores da UFMG trabalham atualmente de forma interdisciplinar com outras áreas para ampliar as possíveis aplicações. “Uma ideia seria também produzir imãs compatíveis com os sistemas biológicos”, afirma o cientista.

Existem terapias que usam nanomateriais magnéticos encapsulados para a função de carregadores de remédios para regiões específicas do corpo humano, como por exemplo, áreas atingidas por tumores. Esses nanomateriais são implantados nos pacientes e  chegam às células cancerosas. Depois disso, é gerado um campo magnético externo – com um aparelho específico – que eleva a temperatura no local da lesão. A temperatura aumentada mata o tumor sem afetar células vizinhas. A ideia, com o desenvolvimento da pesquisa de Willian Xerxes, é que moléculas bioativas já poderiam ser, por si só, magnéticas para levar o remédio até a região afetada por câncer.

Uma terceira aplicação seria na área ambiental, aplicando compostos magnéticos na purificação de água, por exemplo. “Boa parte da Química trabalha com processos de catálise, que usa compostos para que uma reação química aconteça mais rápido. Poderíamos produzir catalisadores com compostos magnéticos. Com pouca quantidade seria possível fazer uma imensidão de reações químicas”, explica o cientista.

Para Willian Xerxes, essa interdisciplinaridade é que revela onde estão os problemas a serem resolvidos pela ciência. “A Química tem seus próprios problemas para resolver, mas existem questões que a Física, a Eletrônica e a Biologia não conseguem responder. Nesse caso, a Química pode ajudar, assim nossos estudos ficam focados onde estão os problemas reais”.

Rotina do fazer ciência

O pesquisador passou por dois grandes momentos durante a elaboração da tese: o primeiro com produção em laboratório e o segundo, com trabalho de análise de dados. Mais da metade do tempo de estudo, segundo Willian Xerxes, foi de preparação de materiais, análise estrutural e técnicas de cristalografia.

Em seguida, o pesquisador analisou os dados criados e coletados. Willian Xerxes passou um ano na Espanha (Universitat de València), trabalhando em um departamento referência em magnetismo na área de Química. Lá aprendeu a interpretar propriedades magnéticas. Assim, se dividiu entre a rotina científica do laboratório com a rotina analítica em frente aos computadores.

“Fazer ciência atualmente é buscar formas de resolver problemas. O foco é buscar melhorias para a humanidade, soluções para um mundo melhor”, conclui Willian Xerxes.

 

O pesquisador

Willian Xerxes é mestre e doutor em Química pela UFMG, onde também fez a graduação. Quando ingressou no curso superior queria muito trabalhar em laboratório. Pesquisou, por um tempo, compostos das plantas – para desenvolvimento de produtos naturais – mas, se encontrou como pesquisador em outro laboratório, ao trabalhar com materiais magnéticos.

Na iniciação científica, trabalhou com técnicas de cristalografia. No mestrado, aperfeiçoou a metodologia junto ao magnetismo e no doutorado envolveu a Engenharia de Cristais.

A tese de doutorado completa está disponível

PRÊMIO CAPES DE TESE

O Minas Faz Ciência produziu uma série de matérias sobre as pesquisas ganhadores do Prêmio Capes de Tese. Estamos apresentando os trabalhos feitos em universidades mineiras que foram premiados na edição 2017. São teses defendidas em 2016 e agraciadas com a honraria.

1ª matéria da série: Pesquisador de Minas estuda pastores evangélicos como empreendedores

2ª matéria da série: Ensaios sobre energia e mudanças climáticas

3ª matéria: Conheça estudo sobre as relações de classe no cinema brasileiro contemporâneo

O prêmio consiste em diploma, medalha e bolsa de pós-doutorado nacional de até 12 meses para o autor da tese; auxílio para participação em congresso nacional, para o orientador, no valor de R$ 3 mil; distinção a ser outorgada ao orientador, coorientador e ao programa em que foi defendida a tese; além de passagem aérea e diária para o autor e um dos orientadores da tese premiada para que compareçam à cerimônia de premiação.

A premiação é dividida por grandes áreas: de Ciências Biológicas, Ciências da Saúde e Ciências Agrárias; Engenharias, Ciências Exatas e da Terra e Multidisciplinar (Materiais e Biotecnologia); Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes e Ciências Sociais Aplicadas e Multidisciplinar (Ensino).

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Ensino de matemática, robótica e cinema

sex, 08/12/2017 - 08:30

A interdisciplinaridade pode ser um caminho para dar uma nova cara ao ensino de matemática? Dois projetos da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), unidade de Carangola, trabalham a matemática da sala de aula junto ao cinema e à robótica.

Matemática e robôs

O projeto Robótica para o Ensino da Matemática, desenvolvido nos cursos de Sistemas da Informação e Matemática, já levou metodologias e atividades a escolas. Foram feitos testes em salas de aula, com participação de alunos e professores. Uma das propostas do projeto é fazer com que os alunos criem trajetos para os robôs, através do desenvolvimento e aplicação de cálculos.

Para o professor Bruno Rossi, um dos coordenadores do projeto, a introdução da robótica no ensino da matemática hoje é viável, com o crescimento de cursos de robótica dentro das escolas. A ideia é pensar as duas disciplinas em um espaço comum.

Geometria cinematográfica

Outro projeto que trabalha com interdisciplinaridade no ensino da matemática é o Matemática no cinema – A geometria das câmeras. Ângulos, enquadramentos e formas geométricas são alguns dos elementos explorados pelos pesquisadores, que levaram oficinas de produção de curtas para escolas.

No projeto, a aplicação da geometria em produções cinematográficas transforma a relação do aluno com o entendimento da matemática. A aluna do curso de licenciatura em Matemática da UEMG, Marcela Gonçalves, conta que é um trabalho sobre a percepção dos estudantes sobre a matemática.

Os dois projetos estiveram na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que teve como tema A matemática está em tudo.

Confira entrevista com Bruno Rossi e Marcela Gonçalves no podcast Ondas da Ciência!

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Startup conecta pessoas para geração de negócios

qua, 06/12/2017 - 15:56

Fundada em Belo Horizonte pelos irmãos Roberta e Pedro Vasconcellos, e Eric Santos, a BeerOr Coffe trata-se de uma startup que tem como missão redefinir a forma como as pessoas trabalham e conectá-las a espaços colaborativos. Hoje, a plataforma dá acesso a cerca de 300 espaços compartilhados de trabalho (coworking) em todo País. Com isso, permite o contato com uma comunidade global que se conecta para um café ou uma cerveja, para trocar experiências, conhecimentos e gerar negócios entre si.

Atualmente, a BeerOrCoffe possui uma base de 60 mil usuários. Disponível em IOS, Android e WEB, a plataforma ajuda desde profissionais autônomos, empreendedores, à grandes empresas com as melhores soluções para um ambiente de trabalho mais produtivo. “ Nossa intenção é não somente conectar pessoas a pessoas, mas também aos melhores meios colaborativos de trabalho, para trabalharem e aprenderem a se conectarem”, diz Roberta Vasconcellos.

O BeerOrCoffee pode ser considerado uma rede social com um diferencial interessante: a interação física dos participantes para um happy hour movido à cerveja ou café, sendo a tecnologia um dos principais assuntos da mesa. Se aqui no Brasil essa combinação pode soar um pouco estranha,  no Vale do Silício é normal. Em todos os cafés – versão americana dos“barzinhos” brasileiros – é comum ver pessoas conversando em torno de um notebook.

A empresa cresceu tanto que foi representar o Brasil na Am.Latina no Google Demo Day – Women´s Edition na sede da Google, em Mountain View. Além disso foi acelerada pelo programa Startup Chile e participa da aceleração do SEED do Governo de Minas Gerais. Tal reconhecimento da Startup, fez com que Roberta fosse convidada para representar o Brasil na  Global Entrepreneurship Summit (GES), considerada a maior feira de empreendedorismo no mundo, que aconteceu em novembro. O evento, que está em sua 8° edição, foi realizado na Índia e contou com mais de 1500 participantes concentrando os maiores nomes de empreendedorismo, criatividade e inovação do planeta.

Um dos temas de destaques nessa edição foi “Mulheres Primeiro, Prosperidade para Todos”. O foco era dar suporte às mulheres empreendedoras, mostrando suas dificuldades com o objetivo de promover o crescimento da economia global. Como Roberta tem grande atuação na área do empreendedorismo, inclusive, eleita pela Forbes Brasil em uma lista de “30 abaixo de 30”, foi convidada a participar do evento pelo governo americano e indiano. “Não sou apenas a Roberta da BeerOrCoffe, mas também uma mulher de negócio do Brasil. Tenho conversado com outras pessoas para trazer temáticas importantes relacionadas a esse tema”, conta a jovem.

Forte frequentadora de eventos de networking, Roberta afirma que a expectativa é alta em relação ao evento da Índia, principalmente, por se tratar de um encontro global. “São muitas possibilidades de trocas com culturas diferentes. A proposta dos temas me interessa e mostra como podemos unir forças para atuar em frentes e buscarmos o desenvolvimento econômico”, acredita.

 

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Conheça estudo sobre relações de classe no cinema brasileiro contemporâneo

seg, 04/12/2017 - 08:00

“Quando essa pesquisa apenas se esboçava, era preciso defender a permanência da relevância das classes no cinema e na sociedade brasileiros. Era um conceito que ainda importava, insistíamos. Quase premonitório, esse estudo assistiu ao lançamento de um número de filmes que tratavam das questões de classe de uma maneira bastante central, assim como ao acirramento de conflitos na vida social – a transição de uma latência mal escondida ao manifesto quase caricatural da divisão.” [trecho da tese “INFILTRADOS E INVASORES: uma perspectiva comparada sobre as relações de classe no cinema brasileiro contemporâneo”]

Muitos cientistas da área das Ciências Humanas buscam produzir conhecimento sobre como produtos do entretenimento, arte, publicidade e design, reconfiguram nossa experiência social. São pesquisas que revisitam filmes, fotos ou livros para discutir as questões evocadas por essas obras.

A pesquisadora Mariana Souto de Melo Silva, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), seguiu esse caminho. Ela estudou, na tese de doutorado, como as relações de classe se constituem e se inscrevem em filmes brasileiros contemporâneos, tanto ficcionais como documentais. O trabalho é vencedor do Prêmio CAPES de Tese 2017, na área de Comunicação e Informação, que premiou as defesas de 2016.

Reprodução/Imagem da tese

A pesquisadora analisou, por meio do método do cinema comparado, mais de 13 filmes, sendo os principais: Santiago (João Moreira Salles, 2007), Pacific (Marcelo Pedroso, 2009), Um lugar ao sol (Gabriel Mascaro, 2009), Vista mar (vários dir., 2009), Babás (Consuelo Lins, 2010), Trabalhar cansa (Juliana Rojas e Marco Dutra, 2011), Câmara escura (Marcelo Pedroso, 2012), Doméstica (Gabriel Mascaro, 2012), Eles voltam (Marcelo Lordello, 2012), O som ao redor (Kleber Mendonça Filho, 2012), Em trânsito (Marcelo Pedroso, 2013), Casa grande (Fellipe Barbosa, 2015) e Que horas ela volta? (Anna Muylaert, 2015).

Segundo Mariana Souto, foram organizadas “coleções” e “constelações” com esses filmes, agrupando-os em torno de questões comuns. A metodologia do cinema comparado, apesar de não ser nova, é pouco comum nas pesquisas acadêmicas da área. É um método com raízes na literatura comparada, um campo mais estabelecido.

Conforme a pesquisadora, foi possível tecer análises que costuravam elementos de vários filmes a uma só vez, tentando entender esse conjunto, observando tendências e movimentos. “Não eram, portanto, análises individualizadas, filme a filme, mas ensaios que relacionavam grupo de 2, 3, 5 filmes numa só levada”, explica.

Reprodução/Imagem da tese

Motivações

O trabalho é uma continuidade das investigações de Mariana Souto no mestrado, quando ela estudou figurações da classe média no cinema brasileiro contemporâneo. Para o doutorado, expandiu o tema. Para ela, seria interessante pensar as relações de classe, isto é, não apenas uma classe isoladamente, mas “as relações que se forjavam entre elas”.

“O Brasil é um país muito desigual, com conflitos acentuados – ora mais ora menos velados, porém muito presentes, talvez mais do que em muitos países. Isso sempre me instigou. Nos últimos anos, talvez por conta das últimas eleições, é possível que os conflitos tenham se tornado ainda mais manifestos, com os lados das disputas muito definidos, em rusgas que, muitas vezes, descambam para a animosidade e até o ódio. O cinema brasileiro está atento a esses movimentos e me parece um lugar que não só repercute a nossa experiência social, como intervém sobre ela, a reelabora. Me parece um lugar privilegiado para se olhar”, conclui Mariana Souto.

Perguntas para a pesquisadora

MFC: Quem são os infiltrados e quem são os invasores no contexto da sua tese?

Mariana Souto: “Infiltração” e “invasão” foram elementos que surgiram ao longo das análises, com certa recorrência, mas que apareciam em sentidos diversos. Em alguns casos, a “infiltração” era arquitetada pelos diretores, em filmes que desenhavam esse dispositivo de adentrar em determinado universo, em geral protegido e pouco acessível ao cinema.

Por exemplo, no filme “Doméstica”, documentário de Gabriel Mascaro, sete adolescentes recebem a tarefa de filmar as empregadas domésticas que trabalham em suas casas. Ou seja, trata-se de um tipo de filme que não é filmado por uma equipe profissional de cinema, com o diretor presente em set, mas calcado no que nomeei “dispositivo de infiltração“.

Dessa forma, o diretor pôde ter acesso ao interior dessas casas, ao que acontece nessas relações íntimas (que mesclam poder e afeto), sem uma presença mais impactante do cinema. Assim, pôde observar e preservar (o máximo possível, mas claro que não inteiramente, pois uma câmera sempre modifica as pessoas) um pouco da intimidade do que acontece no âmbito dessas residências.

As relações de classe em outros filmes, especialmente nos ficcionais, se davam não de forma harmoniosa, mas com um personagem de uma classe sendo percebido como “invasor” no seio de outra. Filmes como “Que horas ela volta?” (Anna Muylaert) se apresentam dessa maneira: a personagem da Jessica, filha da empregada doméstica Val, é sentida como uma invasora no contexto daquela família de classe alta.

Os personagens invasores, em geral, causam desconforto e incômodo na classe invadida, mostrando como essas relações são difíceis, delicadas e armadas. Algo interessante é que os invasores detêm o poder de colocar tudo em perspectiva: como não fazem parte daquela classe, olham tudo com desconfiança e questionam. Jessica não entende, por exemplo, por que o quartinho da mãe é tão pequeno e por que ela não pode entrar na piscina da casa. Com isso, faz com que as “regras tácitas” e não ditas da nossa sociedade se ponham a nu, sejam reveladas e expostas naquilo que têm de injusto e de absurdo.

Em “O som ao redor” (Kleber Mendonça Filho ) há também a figura dos invasores materializada nos vigias, que são contratados para garantir a segurança dos moradores de um bairro de classe média alta do Recife, mas a presença deles acaba por abalar toda a estrutura daquele lugar.

MFC: Como as relações de classe se constituem e se inscrevem em filmes brasileiros contemporâneos?

Mariana Souto: De formas muito diversas, a depender do filme. Algumas questões comuns, no entanto, surgiram, como as relações de classe calcadas no medo – e, muitas vezes, o cinema ficcional recorria a elementos do gênero do terror para dar conta de expressar essas conexões. Em geral, as classes mais altas aparecem muito amedrontadas pela classe popular.

Além do medo, a culpa também era um sentimento recorrente, com a má consciência de classe. Algo que surgiu muito nos filmes contemporâneos que analisei foram as relações de trabalho doméstico – com patrões e empregadas domésticas, vigias, babás. São bastante diferentes da tradição do cinema brasileiro de outros tempos, na qual filmavam relações de classe no universo da fábrica, da construção civil e do campo.

As relações mais observadas pelo cinema hoje são essas dentro de casa e isso traz uma série de ambiguidades e opressões veladas, como a velha frase “ela é quase da família”.

MFC: Quais as contribuições da sua tese para a área da Comunicação? 

Mariana Souto: Creio que minha pesquisa produziu conhecimento de interesse para a área, de forma mais abrangente, por ser um estudo mais panorâmico no cinema brasileiro contemporâneo, que não se atém a um ou dois filmes apenas, mas tenta traçar uma observação sobre um momento de forma transversal.

Além disso, a metodologia, um tanto inusual, pode inspirar novos trabalhos a se arriscarem mais e a testarem metodologias novas, a manejar os filmes de forma inventiva. Incentivar a ouvir mais os filmes ao invés de partir de uma teoria colocada a priori. Olhar para os filmes como se fosse a ilustração dessa teoria. O que tentei fazer foi olhar para os filmes e ver o que deles surgia, quais questões convocavam, como eles falavam e reconfiguram nossa experiência social.

A pesquisadora (por ela mesma)

“Meu início no cinema foi num curso na Escola Livre de Cinema, onde conheci meus amigos e parceiros de trabalho até hoje. Fiz mestrado e doutorado na Comunicação, na UFMG, com um período de doutorado sanduíche na Universitat Pompeu Fabra (UPF), em Barcelona – Espanha. Na UFMG, integrei o grupo de pesquisa “Poéticas da Experiência”, que foi fundamental para minha formação.

Me divido entre a academia e a prática, trabalhando na equipe de alguns filmes. Atualmente integro a equipe de montagem de um longa chamado No coração do mundo, que deve ser lançado ano que vem. Fui professora substituta na UFMG por dois anos e hoje sou docente no curso de Cinema e Audiovisual do Centro Universitário UNA. Trabalho também com curadoria em mostras e festivais.”

PRÊMIO CAPES DE TESE

O Minas Faz Ciência produziu uma série de matérias sobre as pesquisas ganhadores do Prêmio Capes de Tese. Estamos apresentando os trabalhos feitos em universidades mineiras que foram premiados na edição 2017. São teses defendidas em 2016 e agraciadas com a honraria.

1ª matéria da série: Pesquisador de Minas estuda pastores evangélicos como empreendedores

2ª matéria da série: Ensaios sobre energia e mudanças climáticas

O prêmio consiste em diploma, medalha e bolsa de pós-doutorado nacional de até 12 meses para o autor da tese; auxílio para participação em congresso nacional, para o orientador, no valor de R$ 3 mil; distinção a ser outorgada ao orientador, coorientador e ao programa em que foi defendida a tese; além de passagem aérea e diária para o autor e um dos orientadores da tese premiada para que compareçam à cerimônia de premiação.

A premiação é dividida por grandes áreas: de Ciências Biológicas, Ciências da Saúde e Ciências Agrárias; Engenharias, Ciências Exatas e da Terra e Multidisciplinar (Materiais e Biotecnologia); Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes e Ciências Sociais Aplicadas e Multidisciplinar (Ensino).

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De olho nas nuvens

sex, 01/12/2017 - 12:16

Sempre fez parte dos sonhos humanos mais antigos trabalhar com a previsibilidade dos acontecimentos. Antecipar ou tentar prever as coisas sempre foi uma busca constante da ciência e muitas vezes o combustível que aguçou os sentidos dos pesquisadores engajados nas diversas áreas.

Na relação com a natureza não foi diferente.  Na busca por prevenir os possíveis danos e prejuízos eventualmente causados pelas mudanças climáticas, diversos estudos foram desenvolvidos por pesquisadores de áreas como a meteorologia.

Nesse ramo, a possibilidade de previsão existe, e faz parte da rotina dos ‘homens e mulheres do tempo’, que levam em conta uma série de registros referentes a fatores como temperatura, umidade e velocidade dos ventos, antes de atestarem as chances reais de chuva e mudanças no tempo.

Para o meteorologista Heriberto dos Anjos, um dos responsáveis pelo Instituto TempoClima, da Puc Minas, além dos dados oferecidos pelos equipamentos de medição diária, é fundamental que o profissional da área conheça a fundo o clima da região onde atua, o que por si só já oferece uma compreensão dos eventuais fenômenos meteorológicos comumente percebidos em determinados municípios.

 

“Na região metropolitana de Belo Horizonte, por exemplo, as informações catalogadas nos permitem dizer que as nuvens com maior desenvolvimento vertical, que provocam chuvas fortes, rajadas de vento, chuvas com raios e até granizo são as Cumulus Nimbus“. Conhecer os tipos de nuvens mais comuns é fundamental para uma análise técnica coerente do clima de uma região.

Ainda segundo o profissional, como aliado essencial nesse processo, também constam mapas e imagens gerados via satélite contendo o movimento das nuvens e massas de ar diariamente.

Fomos até o instituto TempoClima,  parceiro da Prefeitura de Belo Horizonte nas medições meteorológicas oficiais do município, mostrar como funciona na prática essas previsões que são fundamentais diante de uma instabilidade climática cada vez maior. Confira!

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Categorias: Pesquisa

Será o fim do Tupã?

qui, 30/11/2017 - 08:00

A falta de recursos destinados à ciência no Brasil é uma realidade assustadora. Além de comprometer o andamento de diversas pesquisas, tal indisponibilidade orçamentária compromete, também, a previsão de tempo realizada pelo Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec). Isso porque o supercomputador Tupã (principal ferramenta de previsão do tempo do país) está no fim da vida útil e, no momento, não há recursos para a compra de um novo supercomputador.

Ainda que a máquina receba manutenção constante, não é possível driblar o fim do funcionamento do aparelho e garantir que ele permaneça em funcionamento por um longo período de tempo. O Tupã foi adquirido em 2010 e, na época, era um dos 30 computadores mais velozes do mundo. Hoje, ele não está nem entre os 50 primeiros desta lista. A potência de um computador como o Tupã passa a ficar comprometida após quatro anos de uso, o que torna necessário a sua substituição. Mas, no Brasil, adquirir um novo supercomputador é algo que beira o impossível.

Desde 2014, ano em que o Tupã deveria ter sido substituído, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) solicita recursos para comprar um novo aparelho. Mas, até o momento, não obteve sucesso. A alternativa oferecida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações foi disponibilizar R$ 10 milhões para que o Inpe atualizasse a máquina, com a substituição de peças e assistência técnica constante.

Entretanto, ainda com essa alternativa, os R$ 10 milhões cedidos pelo Ministério ainda não chegaram até o Inpe, e se isso não acontecer, até o próximo dia 8, a assistência técnica ficará impossibilitada, e o computador pode deixar de funcionar de vez, o que pode comprometer a previsão do tempo no país. Por outro lado, mesmo que o dinheiro chegue dentro do prazo ao Inpe, não existem garantias que a troca de peças e assistência serão suficientes para manter o supercomputador funcionando.

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MFC planeja novas ações em última reunião de pauta do ano

qua, 29/11/2017 - 15:42

Na última reunião de pauta do projeto Minas Faz Ciência, os jornalistas da equipe estavam muito animados! Foram mais de 60 sugestões de pesquisas e temas que podem se tornar reportagens jornalísticas.

Nem todas essas sugestões vão se tornar matérias na revista impressa. O levantamento é importante também para as pautas aqui do site.

Além dos projetos financiados pela Fapemig, a equipe se inspirou em temas do cotidiano em debate na mídia para pensar assuntos a serem abordados do ponto de vista científico.

A coluna Contemporâneas, por exemplo, assinada pela jornalista Mariana Alencar, já falou de vacinas, democracia, biodiversidade, câncer e homossexualidade.

Outro assunto que será abordado é o conceito de cidadão inventor – sabia que a Fapemig já teve um programa de apoio a inventores independentes? Também queremos trazer para cá uma discussão que tem ocupado muitas de nossas reuniões, sobre as relações entre divulgação e popularização da ciência.

Que tal também pensar a cidade como objeto e espaço de pesquisa? Tem muita gente fazendo essa abordagem e não é só nos cursos e arquitetura e urbanismo…

Os mais de 20 anos da clonagem da ovelha Dolly também não vão passar despercebidos aqui no Minas Faz Ciência. Pois é, se você lembra das notícias desse primeiro clone, você está ficando velho (hehe).

Clima de fim de ano…

Nos meses de dezembro de 2017 e janeiro de 2018, teremos uma programação diferente no conteúdo digital do projeto.

Luana Cruz traz pra gente mais reportagens da série Prêmio Capes de Tese. Não deixe de conferir as entrevistas com os pesquisadores mineiros agraciados.

No Minas Faz Ciência Infantil, você vai poder ler e compartilhar conteúdo que foi desenvolvido para a última edição da revista infantil impressa.

Também vai ter gente nova postando aqui no site, com variedade de pontos de vista e de estilos de texto. A ideia é que vocês possam conhecer mais e melhor a equipe por trás do projeto Minas Faz Ciência.

O que você quer ler em 2018?

Também vamos aproveitar as próximas semanas para arejar a cabeça e repensar modos de comunicação da ciência.

Opiniões e sugestões são muito importantes!

Deixe sua ideia nos comentários!

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Mineiros se destacam na Olimpíada de Matemática

ter, 28/11/2017 - 08:52

Estudantes mineiros colocaram o estado no lugar mais alto do pódio da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Púbicas (Obmep) 2017.

Minas Gerais é o estado com o maior número de medalhas na Obmep. Esta é a 11ª vez consecutiva que Minas Gerais fica em primeiro lugar em número de alunos medalhistas.

Foram 1.448 medalhas, sendo 119 de ouro, 381 de prata e 948 de bronze. O segundo estado com mais premiações é São Paulo, com 94 de ouro, 274 de prata, 914 de bronze.

Os estudantes de escolas públicas mineiras também se destacaram no número de menções honrosas. Ao todo, foram conquistadas 7.999 menções honrosas.

Clique aqui para conferir a lista dos alunos medalhistas na Obmep.

Dentre os alunos do 6º e 7º anos do ensino fundamental, o melhor colocado em todo país é da rede estadual de ensino de Minas Gerais.

Mateus Mundstock Mendes de Carvalho (foto) é aluno do 7º ano da Escola Estadual Dr. Adiron Gonçalves Boa Ventura, de Rio Paranaíba.

O estudante mineiro, Mateus de Carvalho, foi o melhor colocado do país / Divulgação/SEE

O estudante conquistou esse ano sua segunda medalha de ouro e atribui isso à sua facilidade em resolver questões que envolvem raciocínio lógico.

“Eu sou bom em raciocínio lógico, o que me ajudou bastante nas provas. Para a Obmep, costumo estudar pouco, porque na minha opinião não é uma prova que precisa ficar horas estudando. As questões são mais de interpretação”, conta Mateus.

 

Professores e Escolas premiados

Na Obmep, professores e escolas também concorrem a prêmios, de acordo com o desempenho dos alunos.

Em Minas Gerais, foram premiados 19 professores de escolas públicas, sendo 16 de escolas estaduais, dois de municipais e um de escola federal.

Já com relação a escolas, Minas Gerais conta com 28 escolas premiadas: 19 estaduais e nove municipais.

Clique aqui para conferir a lista de professores premiados. Sobre a Olimpíada de Matemática

A Obmep tem como metas estimular o estudo da Matemática, revelar talentos – incentivando seu ingresso nas áreas científicas e tecnológicas – e promover a inclusão social pela difusão do conhecimento.

Destinada a estudantes do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, a Obmep é realizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA)

É promovida com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e do Ministério da Educação (MEC), com o apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

A olimpíada integra o calendário de atividades do Biênio da Matemática do Brasil 2017-2018.

Em 2017, a Obmep passou a integrar também instituições privadas na competição.

A olimpíada distribuiu 500 medalhas de ouro, 1.500 de prata e 4.506 de bronze, além de 38,6 mil menções honrosas.

A 13ª edição da Obmep contou com a participação de 53.231 escolas de todo o país, de 99,6% dos municípios brasileiros.

Dos 18,2 milhões de estudantes inscritos, 941 mil foram classificados para a segunda fase da competição – 903 mil de escolas públicas e 38 mil de particulares.

Com informações da Assessoria de Comunicação da SEE.

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Ensaios sobre energia e mudanças climáticas

seg, 27/11/2017 - 15:18

“Gestão de recursos energéticos é fundamental para a economia global e o bem-estar da população. Ao mesmo tempo, mudanças no sistema climático podem afetar profundamente a demanda por energia e o suprimento de energia” [trecho da tese “Ensaios sobre energia e mudanças climáticas”]

Esse é o princípio que norteia a tese de doutorado do professor Ian Michael Trotter, defendida em 2016, na Universidade Federal de Viçosa (UFV). O pesquisador, que é norueguês e vive no Brasil, venceu o Prêmio Capes de Teses na área de Economia Aplicada. O trabalho de Ian traz discussões sobre a demanda de energia no Brasil e no mundo, além de debater questões sobre o mercado de créditos de carbono, que surgiu após o Protocolo de Kyoto.

No país onde nasceu, Ian trabalhava numa empresa que fazia, justamente, análise do mercado de créditos de carbono, também conhecido como Redução Certificada de Gases de Efeito Estufa (GEE). Essa redução é medida em toneladas de dióxido de carbono equivalente CO2e. Cada tonelada de CO2e removida da atmosfera corresponde a uma unidade emitida pelo Conselho Executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).

Ian Michael trouxe, em 2005, durante um estágio na UFV suas experiências com os assuntos relacionados aos gases estufa. Quando voltou para morar, em 2011, decidiu propor um projeto de estudo que tratasse de forma mais social e aplicada a questão das emissões. Segundo o pesquisador, a área de Economia foi a mais adequada para discutir o tema.

“Minha graduação e mestrado são na área de informática. No entanto, por causa do meu trabalho nessa empresa da Noruega, aprendi muita coisa sobre mudanças climáticas e energia, o que me motivou a pesquisar o tema aqui no Brasil” explica.

Três fases da pesquisa

A tese do professor Ian é dividia em três grandes partes. Na primeira, ele disserta sobre fontes de energia – com foco especial para o Gás Natural liquefeito (GNL). Ele sugere mudanças na operação desse tipo de energia no Brasil, considerando a estrutura já existente. Traz ideias e sugestões que poderiam ser usadas no país. Segundo Ian Michael, durante a defesa da tese, recebeu a sugestão de apresentar projetos práticos a empresas como a Petrobrás, que poderiam aproveitar soluções propostas por ele.

“No meu trabalho na Noruega, em tinha muito contato com o mercado de GNL do Reino Unido. Trouxe a experiência para o estudo aqui no Brasil, que tem alguns terminais de importação e escoamento, mas enfrenta problemas de gestão”, afirma o cientista.

Na segunda parte da tese, o pesquisador desenvolve uma metodologia para a incerteza meteorológica na geração de demanda de energia elétrica, com possível aplicação no Brasil. É um método que faz previsões sobre o uso de energia e avalia o impacto desses usos sob uma visão inovadora.

Na terceira e última etapa da pesquisa, Ian Michael traz uma visão menos técnica, porém mais analítica e social sobre mudanças climáticas e energia. É nesse trecho que ele discute relações entre países ricos e em desenvolvimento no mercado de créditos de carbono, considerando toda a polêmica envolvida na mitigação de gases estufa.

“Esse tema foi muito discutido na ONU e fez parte do protocolo de Kyoto. A ideia era que países ricos subsidiassem projetos em países em desenvolvimento. É um assunto muito polêmico. Eu quis debater quais foram os efeitos reais dessa política. Queria ver se, ao longo do tempo, os créditos de carbono influenciaram os projetos ambientais. Além disso, quis trazer uma ideia sobre qual é o custo real de se reduzir as taxas do efeito estufa”, conclui Ian Michael.

A tese do professor Ian – Essays on energy and climate change – está disponível no site da UFV para download.

O pesquisador

Ian Michael, atualmente, leciona no Departamento de Economia Rural da UFV, onde fez o doutorado. É graduado e mestre em informática pela Universidade de Oslo. Quando veio ao Brasil pela primeira vez, conheceu uma brasileira que depois se tornou sua esposa – um dos motivos pelos quais ele se mudou definitivamente. Sobre produzir conhecimento por meio da ciência, o professor acredita que:

“A ciência é a procura pela verdade. A ciência levanta uma questão e ajuda descobrir a resposta. Por enquanto, é a melhor maneira de descobrir as repostas para uma pergunta”.

Prêmio Capes de Tese

O Minas Faz Ciência produziu uma série de matérias sobre as pesquisas ganhadores do Prêmio Capes de Tese. Estamos apresentando os trabalhos feitos em universidades mineiras que foram premiados na edição 2017. São teses defendidas em 2016 e agraciadas com a honraria.

O prêmio consiste em diploma, medalha e bolsa de pós-doutorado nacional de até 12 meses para o autor da tese; auxílio para participação em congresso nacional, para o orientador, no valor de R$ 3 mil; distinção a ser outorgada ao orientador, coorientador e ao programa em que foi defendida a tese; além de passagem aérea e diária para o autor e um dos orientadores da tese premiada para que compareçam à cerimônia de premiação.

A premiação é dividida por grandes áreas: de Ciências Biológicas, Ciências da Saúde e Ciências Agrárias; Engenharias, Ciências Exatas e da Terra e Multidisciplinar (Materiais e Biotecnologia); Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes e Ciências Sociais Aplicadas e Multidisciplinar (Ensino).

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“É pra copiar ou posso tirar foto?” na visão da ciência

sex, 24/11/2017 - 09:37

Quem nunca  ouviu esta questão em sala de aula? Com a facilidade de acesso aos smartphones, o hábito de tirar foto das anotações do professor ou dos slides projetados tem se tornado cada vez mais frequente em todos os níveis de formação.

E foi justamente essa questão que inspirou um projeto científico no campus Varginha do CEFET-MG. O trabalho foi apresentado durante a Semana de Ciência e Tecnologia da instituição, levantando reflexões sobre práticas de escrita e usos de tecnologias em sala de aula.

A pesquisa foi orientada pelos professores Edilaine Gonçalves Ferreira de Toledo e Lázaro Eduardo da Silva. Partiu de um incômodo de Edilaine, em 2016: ao invés de registrar anotações no caderno durante as aulas, os estudantes pediam para registrar imagens do quadro e divulgar, posteriormente, nos grupos online da turma. A professora lembra que a postura dos alunos gerava desconforto e repreensões, uma vez que celular em sala de aula não é permitido por lei.

“Isso me incomodou inicialmente, pois trabalho com produção de textos nas turmas de ensino médio, e ver as turmas registrarem pouco, ou escreverem com muita resistência, não era muito normal. Mas aí veio a indagação: por que não aliar o celular como recurso tecnológico nas aulas, e buscar entender um pouco desta dinâmica na vida dos jovens alunos?”

O projeto teve como objetivo discutir a importância do exercício cognitivo e uso da escrita a mão (manuscrita) visando implementar, de modo equilibrado e produtivo, o uso de recursos digitais portáteis, como o celular em sala de aula enquanto recurso didático no processo de ensino-aprendizagem.

As conclusões preliminares do trabalho de investigação mostram que, enquanto o celular é visto como uma ferramenta didática na visão dos alunos, para alguns docentes pode ser um complicador para as aulas no que diz respeito à atenção dos estudantes. Mas os professores reconhecem que “não conhecem muitos aplicativos que possam ser usados em suas aulas ou mais técnicas em que o celular possa ser aliado, ao invés de vilão.”

A orientadora do trabalho defende, finalmente, que não se deve pensar em termos de substituição de um modelo grafocêntrico (manuscrito) pelo aparato tecnológico e que “a tecnologia não vem para substituir a formalização do processo escrito: ela tem de estar aliada aos processos formais, de maneira a dinamizá-los, com mais interação e produtividade”, conclui.

E você, o que prefere?

Veja o que responderam alguns dos meus contatos no Facebook.

Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

* Com informações da assessoria de imprensa do Cefet-MG

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Pesquisas teóricas buscam solução prática para problemas de saúde

ter, 21/11/2017 - 08:00

Já parou para pensar como as pesquisas teóricas podem trazer contribuições práticas à sociedade?

Ronaldo Júnio de Oliveira formou-se em Física, mas sempre teve uma queda pela interdisciplinaridade. “Durante a graduação, fiz também disciplinas de programação, biologia, educação, artes e me dediquei a uma formação não linear”, conta.

Como físico, ele admite que gosta muito das Ciências da Vida, e como professor e pesquisador na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), participa de grupos e redes de pesquisa que se dedicam a investigações em biofísica molecular, em busca de soluções teóricas para problemas práticos.

“Os maiores desafios da ciência hoje estão relacionados à saúde, ao aumento da longevidade e à procura por qualidade de vida. Eu me interesso por pesquisas que tratam desses temas buscando inovações em biotecnologia, desenvolvendo novas teorias e modelos para favorecer técnicas experimentais”.

Dobra de proteínas

Tais pesquisas dedicam-se, por exemplo, ao estudo do processo de “dobra” de proteínas (do inglês protein folding, também traduzido como dobramento ou enovelamento de proteínas).

As proteínas e enzimas são sintetizadas em nossos organismos como uma sequência linear de aminoácidos, que sofrem um processo físico de enovelamento até sua estrutura funcional.

Esse é um processo natural do nosso organismo que, quando sofre alguma alteração (ou seja, deixa de funcionar corretamente), pode desencadear doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

Leia sobre o Alzheimer na reportagem de capa da Minas Faz Ciência n. 71.

Para compreender as variáveis dos problemas que podem ocorrer no dobramento das proteínas, o pesquisador e seu grupo trabalham com simulações computacionais.

Segundo ele, os estados de transição do processo de dobramento são os mais críticos e podem levar à formação de intermediários agregados (veja a imagem abaixo). Nesse processo, há formação de fibras que, por sua vez, levam ao desenvolvimento de doenças degenerativas.

Imagem do processo de dobramento de proteína com desenvolvimento de intermediários agregados, que levam ao surgimento anormal de fibras. Reprodução.

“Estudar essa reação do processo de dobramento é crucial para sabermos como inibir a formação desses agregados. Em uma pesquisa desse tipo, são muitas as especialidades envolvidas. Os biólogos caracterizam a proteína, os químicos desenvolvem fármacos, por exemplo… São diferentes abordagens para resolver um só problema”.

Múltiplas abordagens

Um estudo desenvolvido pelo professor investigou, especificamente, a chamada ‘doença da vaca louca’, a fim de verificar quais as regiões da proteína príon que começam a formar os estados críticos que levam aos agregados intermediários.

“Usamos métodos computacionais para identificar essas regiões de maior risco. É uma abordagem teórica que indica aos pesquisadores experimentais as regiões específicas de ação, agilizando todo o processo de pesquisa”, explica. O artigo foi submetido e está em fase de revisão para publicação em periódico internacional.

Outro artigo, também um trabalho teórico, inspira-se nas complexas teorias da mecânica quântica para descrever a cinética de enovelamento da proteína. A cinética é o ramo da física que trata da ação das forças nas mudanças de movimento dos corpos. O estudo utiliza uma teoria nova na história da física, bastante complicada, para propor uma equação mais simples para medir o tempo de dobramento da proteína.

Mas por que isso é importante?

Cada proteína se enovela (ou dobra) em diferentes escalas temporais, que vão de micro segundos até dias.

Para os pesquisadores que realizam experimentos e testes de laboratórios, saber esse tempo de dobra ajuda a caracterizar a proteína.

Se o tempo muda (em decorrência do desenvolvimento de uma doença, por exemplo), é mais fácil identificar que há um problema.

“Saber o tempo que uma proteína leva para sair de uma estrutura aberta e ir para uma estrutura fechada auxilia os pesquisadores experimentais também a otimizarem seus estudos. Calcular tempo é muito complicado em um experimento, são necessários artefatos caríssimos e poucos grupos realizam essas tarefas. Com nossos estudos em física teórica, ajudamos os experimentos a serem mais certeiros com um custo menor”.

O artigo na íntegra pode ser acessado no link https://doi.org/10.1016/j.physa.2017.10.021. Problemas teóricos para soluções práticas

Estudos teóricos indicam caminhos mais adequados, rápidos ou fáceis para o desenvolvimento de pesquisas práticas.

Essa interação entre pesquisadores teóricos e práticos é um tipo de parceria acadêmica cada vez mais incentivada por agências de fomento.

“O mercado pede pesquisas com esse direcionamento, é um caminho que busca inovação e solução de problemas aliando tecnologias de ponta com experimentos clássicos”, explica o professor.

Em outro de seus estudos, ele participou de um projeto sobre a doença de Chagas que ajudou a resolver, com bases teóricas, um problema de pesquisadores da área da Química.

“Muitas vezes, a parte experimental está avançada na pesquisa, mas chega em um problema que demanda cálculos, projeções, simulações para seguir adiante.

Nesse estudo da doença de Chagas, nosso auxílio foi no sentido de testar computacionalmente milhares de possibilidades para reduzir a necessidade de experimentos práticos”.

A pesquisa em questão tratava da busca pela redução da toxicidade de fármacos já existentes no combate ao parasita, o Trypanosoma cruzi.

Nesse caso, o estudo foi concluído com uma multiplicidade de técnicas experimentais e uma abordagem teórica de modelagem molecular, para prever os mecanismos de ação e interação dos fármacos.

“Os resultados foram bastante satisfatórios e inclusive indicam usos possíveis também no tratamento de outras doenças, como câncer, leishmaniose e até HIV”.

O artigo na íntegra pode ser acessado no link https://doi.org/10.1016/j.ejmech.2017.10.013. Redes de colaboração

Para colher resultados tão favoráveis, é preciso trabalhar em conjunto.

Ronaldo destaca a importância do trabalho dos grupos de pesquisa em redes de colaboração nacionais e internacionais.

“O fortalecimento dessas redes e a busca por uma ciência mais colaborativa são a receita para a inovação e novas soluções na área de saúde”.

Para saber mais, acompanhe as atualizações do Laboratório de Biofísica Téorica e do Núcleo de Desenvolvimento de Compostos Bioativos (NDCBio).

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Pesquisador de Minas estuda pastores evangélicos como empreendedores

seg, 20/11/2017 - 10:34

Pesquisas desenvolvidas em universidades brasileiras já tiveram como foco o estudo da religião no país, as vertentes religiosas ou dos fenômenos relacionados às igrejas, em particular. No entanto, nenhum desses estudos investigou o desenvolvimento de igrejas evangélicas sob a perspectiva do empreendedorismo.  Essa é a grande contribuição da tese defendida pelo professor Victor Silva Corrêa, em 2016, com o tema “Pastores como empreendedores: análise sob perspectivas comportamental e relacional”.

O pesquisador entrevistou 23 pastores responsáveis pela criação e condução de igrejas neopentecostais em BH e Região Metropolitana. Foto: Edy Fernandes.

O trabalho investiga as igrejas neopentecostais enquanto empreendimentos independentes criados por pastores previamente acoplados em comunidades não evangélicas, fenômeno este comum ao contexto brasileiro. A pesquisa foi agraciada com o Prêmio CAPES de Tese, sendo a melhor na área de Administração.

Segundo Victor Silva, os questionamentos iniciais foram: “Será que, no contexto evangélico, posso considerar os pastores como empreendedores? Eles possuem características semelhantes a outros empreendedores?”. O pesquisador entrevistou 23 pastores responsáveis pela criação e condução de igrejas neopentecostais em BH e Região Metropolitana.

5 características do empreendedor

A neopentecostal é uma vertente evangélica que surgiu na década de 1970. Victor Silva observou o funcionamento dessas igrejas e percebeu que os pastores trabalham para a manutenção e crescimentos de suas comunidades.

“Cheguei à conclusão que os pastores têm capacidade de inovação, são proativos, têm agressividade competitiva (para manter fiéis e conseguir novos), assumem riscos e fazem tudo isso com autonomia. Essas são características que definem o que é um empreendedor. Os pastores apresentam esses comportamentos e se assemelham a empreendedores em outros contextos”, explica o pesquisador.

 “Neste ambiente vigoroso, diversificado e competitivo, igrejas passaram a adotar postura ativa e mobilizadora, típica de empreendimentos produtivos; pastores começaram a atuar de maneira profissional, procurando captar e manter adeptos, obter recursos, distinguindo seus empreendimentos dos demais.” [trecho da tese]

A tese é construída a partir de dados dos pastores, obtidos nas entrevistas. O pesquisador chega às conclusões diante do que os pastores disseram. Segundo Victor Silva, durante as conversas surgiram dimensões interessantes para a tese que, inicialmente, ele não havia pensado.

Redes dos pastores

Foi importante entender, por exemplo, a rede de relacionamentos de cada um desses líderes. Além das entrevistas, o professor acompanhou cultos nas igrejas e mapeou as relações dos pastores antes e depois da conversão à religião. “Mais de 70% dos membros das igrejas evangélicas são convertidos, principalmente, da católica. Foi importante ver as relações antes e depois da conversão, pois percebi que essa mudança impactou o fato do pastor ser um empreendedor”, conta.

“o comportamento empreendedor de pastores neopentecostais contribui para o crescimento de suas igrejas. […] Logo, pastores mais empreendedores, com maiores habilidades em associarem atributos da orientação empreendedora, possuem, em relação aos demais, capacidade destacada em influenciar positivamente o crescimento de suas igrejas. Pastores empreendedores permitem maior desenvolvimento de seus empreendimentos” [trecho da tese]

“Os pastores apresentam esses comportamentos e se assemelham a empreendedores em outros contextos”. Foto: Edy Fernandes.

Perguntas para o pesquisador

MFC: O que te motivou a pesquisar o assunto?

Victor: Não foi uma motivação pessoal. Comecei a observar os dados que me chamaram atenção para a relevância do tema. É de conhecimento de todos a queda da população católica e o crescimento da comunidade evangélica no Brasil. Este é um tema, do ponto de vista da Administração, pouco explorado: empreendedorismo no ponto de vista da religião.

MFC: O que é fazer ciência na Administração?

O primeiro passo ao fazer ciência é identificar o estado da arte do que está estudando. Dentro da Administração existem vários campos. Um deles, o Empreendedorismo e Redes. Essa área olha para o que está se falando de mais moderno no mundo e identifica a realidade social para contribuir com a gestão e administração de empresas. Faz um cruzamento da realidade social com a teoria para identificar novas formas de administrar.

Numa tese, em particular, a gente precisa ter contribuição teórica original. Os melhores trabalhos são aqueles que, a partir da teoria, conseguem tecer algo da parte prática e conseguem sugerir pontos de aprimoramento. O trabalho acadêmico deveria ter esse viés de contribuição prática e empírica, não só para empresas, mas para todas as áreas em geral. Minha tese tem cerca de 21 contribuições teóricas na literatura de Empreendedorismo e Redes.

CLIQUE PARA LER A TESE NA ÍNTEGRA BAIXANDO DA BIBLIOTECA PUC MINAS

Sobre o pesquisador

Victor Silva Corrêa é graduado em Jornalismo e Relações Públicas pela PUC Minas, onde também fez especialização em Marketing, mestrado e doutorado em Administração. É professor em cursos de Administração, Comunicação e Marketing atuando nos seguintes temas: inovação, empreendedorismo, orientação empreendedora, redes sociais, redes empresariais, análise das redes sociais, capital social, sociologia econômica e imersão.

Prêmio CAPES de Tese

O Minas Faz Ciência inicia hoje uma série de matérias sobre as pesquisas ganhadores do Prêmio Capes de Tese. Vamos apresentar os trabalhos feitos em universidades mineiras que foram premiados na edição 2017. São teses defendidas em 2016 e agraciadas com a honraria.

O prêmio consiste em diploma, medalha e bolsa de pós-doutorado nacional de até 12 meses para o autor da tese; auxílio para participação em congresso nacional, para o orientador, no valor de R$ 3 mil; distinção a ser outorgada ao orientador, coorientador e ao programa em que foi defendida a tese; além de passagem aérea e diária para o autor e um dos orientadores da tese premiada para que compareçam à cerimônia de premiação.

A premiação é dividida por grandes áreas: de Ciências Biológicas, Ciências da Saúde e Ciências Agrárias; Engenharias, Ciências Exatas e da Terra e Multidisciplinar (Materiais e Biotecnologia); Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes e Ciências Sociais Aplicadas e Multidisciplinar (Ensino).

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