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Ciência, inovação e tecnologia
Atualizado: 2 horas 25 minutos atrás

Livro discute assédio moral em organizações públicas

qui, 19/10/2017 - 19:23

O livro Assédio moral em organizações públicas e a (re)ação dos sindicatos busca preencher uma lacuna do meio acadêmico sobre discussões de assédio moral no contexto das organizações.

O objetivo é envolver as organizações públicas e sindicais no debate sobre o assédio. A obra considera essas instituições “como um frutífero campo de pesquisas e intervenção voltado ao desenvolvimento do bem-estar e da qualidade de vida do trabalhador”.

A publicação reúne trabalhos de autores com expressão nacional e internacional e se relaciona à linha de pesquisa Políticas Públicas e Sustentabilidade, do grupo de pesquisa Gestão e Desenvolvimento de Territórios Criativos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O grupo é liderado pelo professor Magnus Luiz Emmendoerfer, da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Também participaram da organização os professores Suzana da Rosa Tolfo e Thiago Soares Nunes, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Leia um trecho:“Essa reflexão sobre os efeitos e desdobramentos do Assédio Moral nas Organizações Públicas, bem como a atuação dos sindicatos frente a este problema em níveis local, regional, nacional, e até mesmo, internacional, deixa claro o quanto ainda há de ser caminhado. Inclusive para fornecer a estas organizações, dentre essas, as sindicais, maior suporte para a prevenção e o combate ao assédio, principalmente em termos de políticas públicas.” Ficha técnica:

Livro: Assédio Moral em Organizações Públicas e a (Re)Ação dos Sindicatos

Autores: Magnus Luiz Emmendoerfer, Suzana da Rosa Tolfo e Thiago Soares Nunes (organizadores)

Editora: CRV

Páginas: 276

Ano: 2015

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Categorias: Pesquisa

Rompimento em Mariana: crime ou desastre ambiental?

ter, 17/10/2017 - 08:00

No próximo dia 5 de novembro, o rompimento da barragem do Fundão, em Bento Rodrigues, Mariana (MG), completará dois anos. O desastre ambiental é considerado pelos especialistas como o maior do Brasil. Foram 19 mortes e o fim da vida de toda uma comunidade local, que até hoje espera por promessas não cumpridas.

Vozes e silenciamentos em Mariana: crime ou desastre ambiental?

Nesta quarta-feira, 18 de outubro, será lançado o livro “Vozes e silenciamentos em Mariana: crime ou desastre ambiental?”, organizado pela jornalista, professora e pesquisadora Graça Caldas, com participação de 35 alunos do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp.

Os textos foram elaborados na disciplina Linguagem: Jornalismo, Ciência e Tecnologia. O livro conta a trajetória do desastre, seus antecedentes e desdobramentos.

Em suas 352 páginas amplamente ilustradas, a construção coletiva tem sete capítulos: Meio Ambiente, Política e Economia: uma difícil equação; A vida antes da tragédia; Da água para a lama; Viagem ao epicentro; O desastre ambiental: Vozes e visibilidade; Memória e esquecimento.

O lançamento será às 14h30, no auditório da Diretoria Geral da Administração da Unicamp. No mesmo dia, haverá debate sobre “Os múltiplos efeitos de Mariana”. A proposta é discutir aspectos ambientais, sociais, políticos, econômicos, históricos e midiáticos.

Convite para o lançamento do livro do Labjor/Unicamp sobre o desastre de Mariana

O legado da lama

O desastre da barragem do Fundão já foi tema de inúmeros posts e reflexões aqui no Minas Faz Ciência.

Logo após o rompimento, entrevistamos o pesquisador Daniel Carvalho, da PUC-MG, sobre os tesouros do Rio Doce: peixes coletados e catalogados antes de a lama tomar conta de tudo.

Também já fizemos podcast sobre a lama do Rio Doce e divulgamos pesquisas que visam ao desenvolvimento de uma nova mineração.

Quando a tragédia completou uma ano, em 2016, divulgamos o livro Um dia, Um Rio, do escritor Leo Cunha, que tratou com uma sensibilidade a morte do Rio Doce.

Clique nos links acima e navegue pelas postagens anteriores sobre o tema.

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Categorias: Pesquisa

Alunos do ensino médio criam arquitetura sustentável planejada com acessibilidade

seg, 16/10/2017 - 08:05

Mais uma vez a turma do ensino médio está se destacando com pesquisas científicas. Mostramos aqui no Minas Faz Ciências alguns trabalhos desenvolvidos por pesquisadores ainda na educação básica. Também já falamos sobre projetos premiados e a importância da iniciação científica.

Desta vez, estudantes do curso técnico em Edificações do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) desenvolveram um protótipo de edificação de pequeno porte que possibilita a visualização de uma construção, a partir do uso de ferramentas tecnológicas 3D vinculadas à realidade virtual e realidade aumentada. A ideia é facilitar a compreensão, por exemplo, de um projeto de residência (planta de casa).

O projeto Arquitetura sustentável planejada com acessibilidade é orientado pelas professoras Rosana Nunes e Mariana Anacleto, no campus Timóteo. O trabalho se destaca pelo uso dessas tecnologias e o envolvimento de questões que abordam a sustentabilidade e acessibilidade.

O protótipo pode proporcionar uma visita virtual ao ambiente pensado pelos profissionais que planejam o espaço. Assim, é possível modificar os processos produtivos, o que evita retrabalhos. Segundo a professora Rosana Nunes, o objetivo é ajudar a pensar acessibilidade aos portadores de necessidades. Eles mesmos podem visitar virtualmente espaços e optar pelos formatos, o que resulta em que casas mais planejadas e racionalizadas.

Imagem do projeto Arquitetura sustentável planejada com acessibilidade

História

A professora conta que o projeto foi iniciativa de dois alunos do curso de Edificações. Eles haviam sido reprovados no primeiro ano e voltaram com a intenção de dar o máximo possível no curso.

“Estavam pensando em fazer um projeto. Formatamos as primeiras ideias pensando em um colega, do curso de informática, que é cadeirante. Ele foi um grande inspirador do trabalho. Depois pensamos em incluir sustentabilidade e tecnologia. Vimos que havia aplicação de protótipos com realidade virtual na área da saúde, mas no campo de edificações, poucos usavam”, explica a professora.

Os pesquisadores usam uma ferramenta chamada Kubity, que tem uma versão gratuita, e possibilita criação de plantas em realidade virtual. No entanto, com o sucesso do projeto, alunos de engenharia do próprio CEFET-MG já se mostraram interessados em desenvolver um programa para que a turma de edificações desenvolva os trabalhos.

Os estudantes criadores do projeto, Samuel Henrique Barboza dos Santos e Arthur Roldão Lourenço. Premiação no Paraguai. Foto- Arquivo pessoal

Premiações

O trabalho vem sendo desenvolvido pelo grupo de pesquisadores desde março de 2016. Foi apresentado em eventos e conquistou prêmios. Ficou com o 1º lugar na Categoria de Ciências Sociais EXPOCIENTEC, uma das maiores feiras de Ciências e Tecnologia da América Latina, que este ano aconteceu no Paraguai. O trabalho foi selecionado para ser apresentado no evento internacional durante a 1ª edição da Feira Mineira de Iniciação Científica (FEMIC).

O projeto foi reconhecido também com o 1º lugar na categoria de inovação tecnológica na 26ª META (Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações) do CEFET-MG, em Timóteo; recebeu premiação na SBPC Jovem que aconteceu na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e o 1º lugar no desafio MOVILE sobre aplicativos móveis e realidade aumentada/virtual,  na VI Mostra de Trabalhos de Cursos Técnicos (COTUCA-Unicamp).

“O trabalho abriu portas para eles. Vão fazer vestibular na área e já terão bagagem profissional. Eles ficaram felizes em pode escrever um projeto, receber uma bolsa para pesquisar e estão cheios de coisas para colocar no currículo Lattes”, conta Rosana Nunes.

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Categorias: Pesquisa

A ciência sob o microscópio

qua, 11/10/2017 - 17:36

Em abril de 2014, a pesquisadora japonesa Haruko Obokata foi acusada formalmente por má conduta e fabricação de dados. Em janeiro do mesmo ano, ela havia publicado dois artigos na revista Nature. A pesquisa detalhava uma forma de reprogramar células animais maduras a seu estado embrionário, permitindo que gerassem vários tipos de tecidos. Após a publicação, foram reportadas irregularidades em relação às informações apresentadas nos artigos. As acusações culminaram com o suicídio do mentor de Obokata e com sua saída do centro de pesquisa Riken Center for Developmental Biology. Esse é um dos casos recentes mais dramáticos de má conduta científica, que começaram a ganhar destaque na mídia a partir de 2010.

Em evento promovido pela empresa de tecnologia educacional Turnitin, pesquisadores e especialistas debateram ética nas universidades. A discussão aconteceu em Belo Horizonte, na última semana, no dia 3 de outubro. O professor Paulo Sérgio Lacerda Beirão, Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig, foi um dos convidados. Ele falou sobre a importância da confiança e da verificação para a ciência. “Ética, integridade e honestidade são tão importantes quando o método científico. A confiança é o pilar da atividade de pesquisa, e quando é rompida, a própria base da atividade de pesquisa é afetada”, disse o pesquisador.

A má conduta acadêmica pode se configurar como plágio, fabricação ou falsificação de dados, imagens e resultados, inclusão ou exclusão de autores e conflito de interesses, entre outras situações.

O papel das agências e universidades

Segundo Paulo Sérgio Beirão, a fraude nos resultados de pesquisa tem um componente ético e um prático. Para o diretor da Fapemig, a fraude viola o compromisso do pesquisador com a verdade e pode levar a atrasos significativos no avanço da ciência. É ainda motivo de desperdício de recursos humanos e financeiros, com potencial de produzir riscos ao ambiente e às pessoas. “Além das responsabilidades éticas, as agências de fomento devem se responsabilizar pela melhor aplicação possível dos recursos disponíveis, e zelar pela credibilidade da ciência” afirmou Beirão.

Segundo Ana Paula Morales, pesquisadora associada do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp, em 2011 agências de fomento passaram a divulgar manuais de ética, com medidas preventivas para evitar a má conduta científica. Morales abriu o debate do encontro Ética na Universidade: Reflexões e Proposições. Ela discutiu ações de universidades de renome internacionais, que adotam políticas para educação, prevenção e investigação do plágio. “O plágio gera perda de credibilidade, de reputação e de produtividade, além de processos legais onerosos”, ponderou. Segundo a pesquisadora, no Brasil, as universidades a agências passaram recentemente a cobrar políticas mais claras de integridade acadêmica.

Cuidados com o plágio

De acordo com Laercio Dona, diretor da Turnitin Brasil, e um dos palestrantes do evento, plágio não é só um problema de desonestidade. Entre 117 milhões de documentos submetidos no sistema da empresa, 81% apresentavam similaridades, e 34% altos índices de similaridades, que podem ou não indicar plágio.

“O que vemos é que o plágio não é necessariamente resultado de má fé, mas há uma dificuldade, principalmente por parte dos estudantes, de entender o que é plágio”, explicou Ana Paula Morales. Segundo a pesquisadora, as causas podem variar entre: incapacidade de gerenciar o próprio tempo, dificuldade com a escrita, desconhecimento das regras de citação, baixo poder argumentativo e falta de estímulo ao pensamento crítico.

Ondas da Ciência

Nesse Ondas da Ciência, o professor Paulo Sérgio Lacerda Beirão, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fapemig, discute ética na ciência e fala sobre boas práticas de pesquisa.

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Categorias: Pesquisa

“A ferramenta tátil é muito potente no ensino de cegos”

ter, 10/10/2017 - 08:59

Com mais de 18 anos de experiência docente na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), a Física Adriana Gomes Dickman dedica-se à pesquisa em formação de professores para o ensino de cegos e pessoas com baixa visão.

Seu foco principal é na formação e aprendizagem de pessoas cegas e com baixa visão. Desde 2005, ela atua no Programa de Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática, âmbito no qual passou a orientar projetos e dissertações voltados ao desenvolvimento de soluções pedagógicas para a realidade das salas de aula em que estudantes cegos estão inseridos.

Na entrevista abaixo, ela fala sobre o desafio da formação de professores que vão lidar com a inclusão de pessoas com deficiência nas salas de aula. Confira:

Minas Faz Ciência: Como começou sua atuação em pesquisa sobre aprendizagem de pessoas com deficiência visual?

A professora Adriana Dickman, na PUC-MG. Foto: Arquivo Pessoal

Adriana Gomes Dickman: Os alunos de graduação em Física começaram a me procurar porque queriam fazer monografia sobre o processo de ensino e aprendizagem de física de alunos surdos. Posteriormente, minha experiência foi construída na pesquisa, porque não estou na sala de aula com os alunos com necessidades educacionais especiais. Eram alunos meus, da graduação e do mestrado, que buscavam responder questões de pesquisa nesse tema e isso me motivou a trabalhar na formação de professores que vão lidar com esses desafios na sala de aula.

Primeiro, orientei algumas monografias e projetos de iniciação científica sobre alunos surdos, depois, sobre deficiência visual, tema que se tornou mais comum nas orientações de mestrado. Como é um mestrado profissional, os alunos – que são também professores – têm que desenvolver um produto didático, um material que vai contribuir para a vivência deles na profissão. E eles sempre querem desenvolver um recurso didático diferente e eficiente para o estudante cego.

MFC: Como é o processo de aprendizado de quem tem deficiência visual? É muito raro não ter a pegada visual no ensino de física, biologia, geografia: os livros têm muitas ilustrações, figuras e mapas. Quando o estudante cego vai em busca de informação, ele enfrenta uma barreira, e o papel do professor é levar a ele esse conhecimento de outra forma.

AGD: Há vários estudos sobre o tema, mas é certo que um aluno cego tem a mesma capacidade cognitiva que um aluno que enxerga, que a gente chama de vidente. Não há qualquer diferença no aprendizado. A falta de visão não afeta a capacidade cognitiva, mas há uma diferença significativa na obtenção de informação.

A física, especificamente, e as ciências, de modo geral, usam demais os recursos visuais no ensino. Se você pensar nas aulas, são todas muito visuais, com base em desenhos no quadro, esquemas que precisam ser visualizados para serem entendidos.

Representação da reflexão de ondas com massinha de modelar. Reprodução.

 

O que se usa hoje são os recursos táteis, como maquetes e figuras em alto relevo, ou o canal sonoro, informações que são repassadas pela escuta. O que nós já percebemos é que existe uma diferença no tempo que um estudante cego leva para absorver essa informação, geralmente, ele demora mais nesse processo de tatear o material, manusear, entender o que ele quer dizer.

Quando desenvolvemos um material tátil, é preciso desenvolver uma linguagem também, que indique ao aluno que “isso representa aquilo”. Você tem que mostrar a ele, pelo tato, o que é cada coisa que ele está tocando. Então, primeiro é preciso haver um trabalho de familiarização do estudante com esse material para só depois você entrar em conceitos de Física, por exemplo.

MFC: Como as escolas e os professores têm acesso a esses materiais táteis? Vocês desenvolvem modelos no âmbito da pós-graduação, por exemplo?

AGD: A disponibilidade desse material é um grande desafio. Parte da nossa pesquisa consiste em entrevistar professores para saber quais são os obstáculos, as dificuldades que ele sente ao ter um estudante cego em sala de aula. Ele percebe que tem que desenvolver um material especial, mas ele não tem preparo para isso. Poucas universidades têm cursos voltados para a prática de ensino para alunos com deficiência na formação docente.

É raro e são poucos os lugares que formam os professores, ainda nas licenciaturas, para saber o que fazer diante de um aluno cego em sala de aula. Muitas vezes, dependem da boa vontade do professor e da criatividade.Tenho relatos de professores que nas aulas de óptica usam macarrão de espessuras diferentes para fazer os raios de luz com diferentes tipos de frequência, por exemplo. É uma improvisação que parte da vontade do professor.

No Mestrado, o que fazemos é orientar os professores que têm interesse na área a desenvolver maquetes e modelos que possam depois ser reproduzidos pelos demais professores em sala de aula. Tais atividades estão vinculadas a projetos interdisciplinares desenvolvidos pelo grupo de pesquisa Inclusão, Educação e Ensino de Ciências e Matemática do CNPq. A gente tem uma ideia, elabora um conteúdo, testa com estudantes cegos e depois disponibiliza no site do Programa, junto às dissertações, para que outros professores da escola básica possam se apropriar disso.

Representação artesanal de uma célula e suas estruturas.

MFC: Física e Matemática costumam ser o ‘bicho-papão’ do ensino para grande parte dos alunos, independente de terem algum tipo de deficiência. Essa dificuldade é maior para quem é cego?

 AGD: Essa dificuldade tem origem em diversos problemas, em um ensino muito baseado em fórmulas, na deficiência da formação em matemática… É um caldo grosso de problemas e parte da missão do nosso programa de mestrado é também tentar diagnosticar e resolver essas questões.

Alunos cegos, em especial, não têm uma dificuldade específica para aprender física e matemática. Isso vai depender mais do conteúdo que está sendo passado.

Já fizemos entrevistas com professores e alunos cegos e eles afirmam gostar de matemática, de cinemática, que é uma parte da física. Os alunos fazem contas de cabeça, os professores ficam impressionados, eles têm facilidade de memorização, pela própria condição, que faz com que sem apoiem em outros meios de raciocínio. Se ele faz a conta muito rápido, o problema não é, necessariamente, a matemática, mas saber se eles estão entendendo, realmente, a que aquele cálculo faz referência, o que é o conceito. Essa é a mesma dúvida que a gente tem com o estudante vidente.

Por que eles não entendem? Porque um dos primeiros exemplos que usamos para ensinar óptica é: “pense na imagem que você vê no espelho”. E eles não sabem do que a gente está falando. O que é espelho para um cego? Um aluno que enxerga, ou que já enxergou em algum momento da vida, entende essa ideia de imagem, de espelho, de reflexo. Mas, para o cego de nascença isso não funciona, ele não tem essa abstração, não sabe do que você está falando.Os conteúdos de física que não dependem tanto do visual dão aos alunos cegos condições de desenvolvimento até melhores do que os alunos videntes. O problema é mais grave quando o aspecto visual é preponderante, como a óptica.

MFC: Como solucionar essa barreira?

AGD: Um de nossos alunos de mestrado fez um trabalho muito bom nesse sentido. Ele trabalhava no pré-vestibular da UFMG com 10 pessoas cegas e preparou esses alunos com maquetes, feitas de base de madeira com fios de lã que tinham bolinhas na ponta, representando a luz, o raio se propagando em direção à bolinha – que é o que a gente faz desenhando no quadro, com setas, simbolizando a propagação do raio de luz.

Ao introduzir essas imagens táteis para os alunos, mostrando propriedades da óptica geométrica, foi incrível ver que os alunos entenderam tão bem os conceitos que perguntaram se aquilo estava relacionado com o eclipse que eles ouviam falar, mas não podiam ver. E tem tudo a ver! Então, o questionamento dos próprios alunos cegos levou à construção de outra maquete para explicar o que é o eclipse, com linhas de lã, mas dá para trabalhar com ferramentas mais versáteis, como massinha de modelar, que podem ser reaproveitadas.

Aluno usando um material feito de barbantes, pregos e miçangas em uma tábua
para representar um raio de luz à esquerda e um eclipse à direita.

Tivemos relatos de pessoas que enxergam que afirmaram ter entendido muito melhor os conceitos de física depois que tiveram contato com esse material tátil do que com o ensino tradicional de esquemas e desenhos no quadro. Isso demonstra que mesmo para quem enxerga a ferramenta tátil é muito potente como estratégia pedagógica no ensino de física.

Não é um trabalho exclusivo para cegos, pois muitas vezes quem enxerga vê, mas não entende. Ao construir maquetes como essas, alunos que enxergam e que não enxergam trabalham juntos e isso é essencial para o entrosamento e o aprendizado.

Leia também: Inclusão na pesquisa científica & entrevista com a professora e pesquisadora Sônia Pessoa.

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Categorias: Pesquisa

Professor e alunos desenvolvem jogos para ensinar literatura

seg, 09/10/2017 - 08:05

“Volta às aulas de língua portuguesa. E o que temos a ensinar? Parece que os alunos já são tão espertos e sabidos. Teclam, acessam, clicam, enviam, anexam, fotografam, e muitas vezes, ali, na frente dos professores, com a sem-cerimônia de quem conhece, gosta e pratica” (Luiz Fernando Gomes, prefácio do livro Tecnologias para Aprender de Carla Coscarelli)

Todo educador, que vive de forma reflexiva o ensino e aprendizagem, já parou para repensar modos de aplicação de conteúdos em sala de aula. Volta e meia, professores criam métodos para envolver os alunos nas disciplinas que lecionam e plantam uma semente de inovação na educação.

Esse é o caso de Rodrigo Alves dos Santos, professor de Língua Portuguesa, Literatura e Cultura do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET-MG), campus Divinópolis. Desde 2012, ele coordena o projeto Uso de jogos como atividades de fixação e revisão de conteúdos de literaturas de Língua Portuguesa, uma forma de complementar a missão de formar leitores no ensino médio.

Alunos voluntários Laura Ferreira Santos, Lucas Niess e Mário Vitor Kern. Eles mostram o jogo Turvo, um game de memória sobre Ferreira Gullar. 

O grupo de pesquisadores envolvidos no projeto desenvolve jogos analógicos e digitais usados como estratégias de promoção da aprendizagem de conteúdos de literaturas de língua portuguesa, incluindo a brasileira, a portuguesa e as africanas de língua portuguesa. Os jogos são uma alternativa àqueles exercícios tradicionalmente encontrados nos livros didáticos, que, segundo o professor, podem ser pouco atraentes para estudantes do ensino médio.

Os jogos

No início do projeto, a pretensão era desenvolver apenas jogos analógicos, por isso criaram um bingo sobre o Barroco e um perfil sobre o Romantismo Brasileiro. Dado o sucesso das primeiras criações, entre professores e alunos, aumentaram o número de jogos contemplando atividades sobre literaturas africanas de expressão portuguesa.

Por sugestão dos próprios jogadores, iniciaram o desenvolvimento de protótipos para games nos computadores, com ou sem o uso de internet. Atualmente estão na fase de pesquisa e criação dessas ferramentas. O projeto é interdisciplinar e envolve alunos dos ensinos médio e superior.

O grupo também prioriza questões ambientais, por isso fizeram protótipos de embalagens para acomodar os jogos em um kit a ser distribuído em escolas púbicas de nível médio. As embalagens são feitas com tecidos descartados por empresas de confecção em Divinópolis. Segundo o professor, o grande objetivo do projeto é que os jogos possam chegar a outras instituições de ensino.

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Além do prof. Rodrigo Alves, o projeto conta com os bolsistas FAPEMIG Guilherme Gazzinelli e Matheus Lara (estudantes do curso superior em engenharia), com alunos voluntários do curso técnico de Informática do campus Divinópolis (Laura Ferreira Santos, Lucas Niess e Mário Vitor Kern). O ex-aluno da instituição e ex-bolsista do projeto – Orlando Enrico Liz – atualmente estudante de Ciência da Computação da UFMG, é coorientador do projeto. Vários bolsistas já passaram pelo grupo. Eram estudantes dos cursos técnicos de Produção de Moda, Informática, Eletromecânica, além do curso superior em Engenharia Mecatrônica.

Premiações

No mês de setembro, os pesquisadores apresentaram o projeto na mostra Inova Minas da Fapemig e foram selecionados para a Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia (FINIT), que acontecerá entre 31 de outubro e 5 de novembro deste ano. Os jogos já foram apresentados e premiados em evento no Colégio Técnico de Campinas (Cotuca-Unicamp), Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) e Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec).

Entrevista com professor Rodrigo

MFC: Quais motivações para desenvolver jogos como atividades de fixação e revisão de conteúdos de Literaturas de Língua Portuguesa?

Professor Rodrigo: Sobretudo minha experiência como professor nos níveis médio e superior. Sou formado em letras há mais de 20 anos, atuando na área e pesquisando a formação de leitores de literatura. Levo em conta as experiências de colegas e minhas análises de livros didáticos. Vi a carência de material para trabalhar com literatura. Existem muitos jogos para ensino de matemática, por exemplo, mas na área da leitura não. Convidei um grupo de alunos e começamos a montar os jogos.

Da esquerda para a direita: o bolsista BIC FAPEMIG Guilherme Gazzinelli; o coorientador do Projeto Orlando Enrico Liz; o bolsista BIC FAPEMIG Matheus Lara e o orientador do Projeto, Prof. Rodrigo Alves. Foto: Alba Valéria

Apresentamos em escolas de Divinópolis e levamos para congressos. O grupo de alunos do projeto cresceu e surgiu interesse dos estudantes do ensino superior em participar. Foi uma ousadia bem sucedida porque a gente conseguiu dar uma pegada tecnológica para a leitura, para as letras. Os estudantes se empolgaram e os professores começaram a gostar dos protótipos. O projeto foi ganhando fôlego e a motivação crescendo, quando percebemos que havia grande receptividade.

MFC: Como é trabalhar no projeto com alunos de graduação e ensino médio?

Professor Rodrigo: Experiência maravilhosa. É o que me prende ao CEFET. Atuo em outros níveis de ensino, mas sou entusiasta do ensino médio. O CEFET é uma das raras instituições que permite a gente iniciar o aluno numa trajetória cientifica. Estar ao mesmo tempo com graduandos, cria no aluno do ensino médio um mundo de possibilidades. Ele se vê pesquisador, conhece processos de agência de fomento, constrói um currículo Lattes, participa de competições. Esses contatos em todos níveis é muito rico.

Uma das grandes promessas que precisamos cumprir com nossa juventude é ensinar o jovem a se construir um cientista. Mostrar o cientista como uma construção, para escapar um pouco daquela ideia da genialidade e desmistificar a ciência. No caso dos jogos, o aluno vê o trabalho materializado, recebe um elogio e pensa: “foi minha ideia”.

Isso reforça a importância da inovação nesse âmbito da leitura. Tem muita coisa acontecendo nas escolas por aí. A gente precisa dar visibilidade para essas iniciativas para escapar do lugar comum de que jovem não lê, jovem não quer saber de literatura. É possível, por meio de uma simples cruzadinha, o aluno brincar e de repente, estar falando sobre literatura ou sobre um autor clássico.

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