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Ciência, inovação e tecnologia
Updated: 8 hours 31 min ago

“É pra copiar ou posso tirar foto?” na visão da ciência

8 hours 54 min ago

Quem nunca  ouviu esta questão em sala de aula? Com a facilidade de acesso aos smartphones, o hábito de tirar foto das anotações do professor ou dos slides projetados tem se tornado cada vez mais frequente em todos os níveis de formação.

E foi justamente essa questão que inspirou um projeto científico no campus Varginha do CEFET-MG. O trabalho foi apresentado durante a Semana de Ciência e Tecnologia da instituição, levantando reflexões sobre práticas de escrita e usos de tecnologias em sala de aula.

A pesquisa foi orientada pelos professores Edilaine Gonçalves Ferreira de Toledo e Lázaro Eduardo da Silva. Partiu de um incômodo de Edilaine, em 2016: ao invés de registrar anotações no caderno durante as aulas, os estudantes pediam para registrar imagens do quadro e divulgar, posteriormente, nos grupos online da turma. A professora lembra que a postura dos alunos gerava desconforto e repreensões, uma vez que celular em sala de aula não é permitido por lei.

“Isso me incomodou inicialmente, pois trabalho com produção de textos nas turmas de ensino médio, e ver as turmas registrarem pouco, ou escreverem com muita resistência, não era muito normal. Mas aí veio a indagação: por que não aliar o celular como recurso tecnológico nas aulas, e buscar entender um pouco desta dinâmica na vida dos jovens alunos?”

O projeto teve como objetivo discutir a importância do exercício cognitivo e uso da escrita a mão (manuscrita) visando implementar, de modo equilibrado e produtivo, o uso de recursos digitais portáteis, como o celular em sala de aula enquanto recurso didático no processo de ensino-aprendizagem.

As conclusões preliminares do trabalho de investigação mostram que, enquanto o celular é visto como uma ferramenta didática na visão dos alunos, para alguns docentes pode ser um complicador para as aulas no que diz respeito à atenção dos estudantes. Mas os professores reconhecem que “não conhecem muitos aplicativos que possam ser usados em suas aulas ou mais técnicas em que o celular possa ser aliado, ao invés de vilão.”

A orientadora do trabalho defende, finalmente, que não se deve pensar em termos de substituição de um modelo grafocêntrico (manuscrito) pelo aparato tecnológico e que “a tecnologia não vem para substituir a formalização do processo escrito: ela tem de estar aliada aos processos formais, de maneira a dinamizá-los, com mais interação e produtividade”, conclui.

E você, o que prefere?

Veja o que responderam alguns dos meus contatos no Facebook.

Foto: Eduardo Knapp/Folhapress

* Com informações da assessoria de imprensa do Cefet-MG

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Categories: Pesquisa

Pesquisas teóricas buscam solução prática para problemas de saúde

Tue, 11/21/2017 - 08:00

Já parou para pensar como as pesquisas teóricas podem trazer contribuições práticas à sociedade?

Ronaldo Júnio de Oliveira formou-se em Física, mas sempre teve uma queda pela interdisciplinaridade. “Durante a graduação, fiz também disciplinas de programação, biologia, educação, artes e me dediquei a uma formação não linear”, conta.

Como físico, ele admite que gosta muito das Ciências da Vida, e como professor e pesquisador na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), participa de grupos e redes de pesquisa que se dedicam a investigações em biofísica molecular, em busca de soluções teóricas para problemas práticos.

“Os maiores desafios da ciência hoje estão relacionados à saúde, ao aumento da longevidade e à procura por qualidade de vida. Eu me interesso por pesquisas que tratam desses temas buscando inovações em biotecnologia, desenvolvendo novas teorias e modelos para favorecer técnicas experimentais”.

Dobra de proteínas

Tais pesquisas dedicam-se, por exemplo, ao estudo do processo de “dobra” de proteínas (do inglês protein folding, também traduzido como dobramento ou enovelamento de proteínas).

As proteínas e enzimas são sintetizadas em nossos organismos como uma sequência linear de aminoácidos, que sofrem um processo físico de enovelamento até sua estrutura funcional.

Esse é um processo natural do nosso organismo que, quando sofre alguma alteração (ou seja, deixa de funcionar corretamente), pode desencadear doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

Leia sobre o Alzheimer na reportagem de capa da Minas Faz Ciência n. 71.

Para compreender as variáveis dos problemas que podem ocorrer no dobramento das proteínas, o pesquisador e seu grupo trabalham com simulações computacionais.

Segundo ele, os estados de transição do processo de dobramento são os mais críticos e podem levar à formação de intermediários agregados (veja a imagem abaixo). Nesse processo, há formação de fibras que, por sua vez, levam ao desenvolvimento de doenças degenerativas.

Imagem do processo de dobramento de proteína com desenvolvimento de intermediários agregados, que levam ao surgimento anormal de fibras. Reprodução.

“Estudar essa reação do processo de dobramento é crucial para sabermos como inibir a formação desses agregados. Em uma pesquisa desse tipo, são muitas as especialidades envolvidas. Os biólogos caracterizam a proteína, os químicos desenvolvem fármacos, por exemplo… São diferentes abordagens para resolver um só problema”.

Múltiplas abordagens

Um estudo desenvolvido pelo professor investigou, especificamente, a chamada ‘doença da vaca louca’, a fim de verificar quais as regiões da proteína príon que começam a formar os estados críticos que levam aos agregados intermediários.

“Usamos métodos computacionais para identificar essas regiões de maior risco. É uma abordagem teórica que indica aos pesquisadores experimentais as regiões específicas de ação, agilizando todo o processo de pesquisa”, explica. O artigo foi submetido e está em fase de revisão para publicação em periódico internacional.

Outro artigo, também um trabalho teórico, inspira-se nas complexas teorias da mecânica quântica para descrever a cinética de enovelamento da proteína. A cinética é o ramo da física que trata da ação das forças nas mudanças de movimento dos corpos. O estudo utiliza uma teoria nova na história da física, bastante complicada, para propor uma equação mais simples para medir o tempo de dobramento da proteína.

Mas por que isso é importante?

Cada proteína se enovela (ou dobra) em diferentes escalas temporais, que vão de micro segundos até dias.

Para os pesquisadores que realizam experimentos e testes de laboratórios, saber esse tempo de dobra ajuda a caracterizar a proteína.

Se o tempo muda (em decorrência do desenvolvimento de uma doença, por exemplo), é mais fácil identificar que há um problema.

“Saber o tempo que uma proteína leva para sair de uma estrutura aberta e ir para uma estrutura fechada auxilia os pesquisadores experimentais também a otimizarem seus estudos. Calcular tempo é muito complicado em um experimento, são necessários artefatos caríssimos e poucos grupos realizam essas tarefas. Com nossos estudos em física teórica, ajudamos os experimentos a serem mais certeiros com um custo menor”.

O artigo na íntegra pode ser acessado no link https://doi.org/10.1016/j.physa.2017.10.021. Problemas teóricos para soluções práticas

Estudos teóricos indicam caminhos mais adequados, rápidos ou fáceis para o desenvolvimento de pesquisas práticas.

Essa interação entre pesquisadores teóricos e práticos é um tipo de parceria acadêmica cada vez mais incentivada por agências de fomento.

“O mercado pede pesquisas com esse direcionamento, é um caminho que busca inovação e solução de problemas aliando tecnologias de ponta com experimentos clássicos”, explica o professor.

Em outro de seus estudos, ele participou de um projeto sobre a doença de Chagas que ajudou a resolver, com bases teóricas, um problema de pesquisadores da área da Química.

“Muitas vezes, a parte experimental está avançada na pesquisa, mas chega em um problema que demanda cálculos, projeções, simulações para seguir adiante.

Nesse estudo da doença de Chagas, nosso auxílio foi no sentido de testar computacionalmente milhares de possibilidades para reduzir a necessidade de experimentos práticos”.

A pesquisa em questão tratava da busca pela redução da toxicidade de fármacos já existentes no combate ao parasita, o Trypanosoma cruzi.

Nesse caso, o estudo foi concluído com uma multiplicidade de técnicas experimentais e uma abordagem teórica de modelagem molecular, para prever os mecanismos de ação e interação dos fármacos.

“Os resultados foram bastante satisfatórios e inclusive indicam usos possíveis também no tratamento de outras doenças, como câncer, leishmaniose e até HIV”.

O artigo na íntegra pode ser acessado no link https://doi.org/10.1016/j.ejmech.2017.10.013. Redes de colaboração

Para colher resultados tão favoráveis, é preciso trabalhar em conjunto.

Ronaldo destaca a importância do trabalho dos grupos de pesquisa em redes de colaboração nacionais e internacionais.

“O fortalecimento dessas redes e a busca por uma ciência mais colaborativa são a receita para a inovação e novas soluções na área de saúde”.

Para saber mais, acompanhe as atualizações do Laboratório de Biofísica Téorica e do Núcleo de Desenvolvimento de Compostos Bioativos (NDCBio).

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Categories: Pesquisa

Pesquisador de Minas estuda pastores evangélicos como empreendedores

Mon, 11/20/2017 - 10:34

Pesquisas desenvolvidas em universidades brasileiras já tiveram como foco o estudo da religião no país, as vertentes religiosas ou dos fenômenos relacionados às igrejas, em particular. No entanto, nenhum desses estudos investigou o desenvolvimento de igrejas evangélicas sob a perspectiva do empreendedorismo.  Essa é a grande contribuição da tese defendida pelo professor Victor Silva Corrêa, em 2016, com o tema “Pastores como empreendedores: análise sob perspectivas comportamental e relacional”.

O pesquisador entrevistou 23 pastores responsáveis pela criação e condução de igrejas neopentecostais em BH e Região Metropolitana. Foto: Edy Fernandes.

O trabalho investiga as igrejas neopentecostais enquanto empreendimentos independentes criados por pastores previamente acoplados em comunidades não evangélicas, fenômeno este comum ao contexto brasileiro. A pesquisa foi agraciada com o Prêmio CAPES de Tese, sendo a melhor na área de Administração.

Segundo Victor Silva, os questionamentos iniciais foram: “Será que, no contexto evangélico, posso considerar os pastores como empreendedores? Eles possuem características semelhantes a outros empreendedores?”. O pesquisador entrevistou 23 pastores responsáveis pela criação e condução de igrejas neopentecostais em BH e Região Metropolitana.

5 características do empreendedor

A neopentecostal é uma vertente evangélica que surgiu na década de 1970. Victor Silva observou o funcionamento dessas igrejas e percebeu que os pastores trabalham para a manutenção e crescimentos de suas comunidades.

“Cheguei à conclusão que os pastores têm capacidade de inovação, são proativos, têm agressividade competitiva (para manter fiéis e conseguir novos), assumem riscos e fazem tudo isso com autonomia. Essas são características que definem o que é um empreendedor. Os pastores apresentam esses comportamentos e se assemelham a empreendedores em outros contextos”, explica o pesquisador.

 “Neste ambiente vigoroso, diversificado e competitivo, igrejas passaram a adotar postura ativa e mobilizadora, típica de empreendimentos produtivos; pastores começaram a atuar de maneira profissional, procurando captar e manter adeptos, obter recursos, distinguindo seus empreendimentos dos demais.” [trecho da tese]

A tese é construída a partir de dados dos pastores, obtidos nas entrevistas. O pesquisador chega às conclusões diante do que os pastores disseram. Segundo Victor Silva, durante as conversas surgiram dimensões interessantes para a tese que, inicialmente, ele não havia pensado.

Redes dos pastores

Foi importante entender, por exemplo, a rede de relacionamentos de cada um desses líderes. Além das entrevistas, o professor acompanhou cultos nas igrejas e mapeou as relações dos pastores antes e depois da conversão à religião. “Mais de 70% dos membros das igrejas evangélicas são convertidos, principalmente, da católica. Foi importante ver as relações antes e depois da conversão, pois percebi que essa mudança impactou o fato do pastor ser um empreendedor”, conta.

“o comportamento empreendedor de pastores neopentecostais contribui para o crescimento de suas igrejas. […] Logo, pastores mais empreendedores, com maiores habilidades em associarem atributos da orientação empreendedora, possuem, em relação aos demais, capacidade destacada em influenciar positivamente o crescimento de suas igrejas. Pastores empreendedores permitem maior desenvolvimento de seus empreendimentos” [trecho da tese]

“Os pastores apresentam esses comportamentos e se assemelham a empreendedores em outros contextos”. Foto: Edy Fernandes.

Perguntas para o pesquisador

MFC: O que te motivou a pesquisar o assunto?

Victor: Não foi uma motivação pessoal. Comecei a observar os dados que me chamaram atenção para a relevância do tema. É de conhecimento de todos a queda da população católica e o crescimento da comunidade evangélica no Brasil. Este é um tema, do ponto de vista da Administração, pouco explorado: empreendedorismo no ponto de vista da religião.

MFC: O que é fazer ciência na Administração?

O primeiro passo ao fazer ciência é identificar o estado da arte do que está estudando. Dentro da Administração existem vários campos. Um deles, o Empreendedorismo e Redes. Essa área olha para o que está se falando de mais moderno no mundo e identifica a realidade social para contribuir com a gestão e administração de empresas. Faz um cruzamento da realidade social com a teoria para identificar novas formas de administrar.

Numa tese, em particular, a gente precisa ter contribuição teórica original. Os melhores trabalhos são aqueles que, a partir da teoria, conseguem tecer algo da parte prática e conseguem sugerir pontos de aprimoramento. O trabalho acadêmico deveria ter esse viés de contribuição prática e empírica, não só para empresas, mas para todas as áreas em geral. Minha tese tem cerca de 21 contribuições teóricas na literatura de Empreendedorismo e Redes.

CLIQUE PARA LER A TESE NA ÍNTEGRA BAIXANDO DA BIBLIOTECA PUC MINAS

Sobre o pesquisador

Victor Silva Corrêa é graduado em Jornalismo e Relações Públicas pela PUC Minas, onde também fez especialização em Marketing, mestrado e doutorado em Administração. É professor em cursos de Administração, Comunicação e Marketing atuando nos seguintes temas: inovação, empreendedorismo, orientação empreendedora, redes sociais, redes empresariais, análise das redes sociais, capital social, sociologia econômica e imersão.

Prêmio CAPES de Tese

O Minas Faz Ciência inicia hoje uma série de matérias sobre as pesquisas ganhadores do Prêmio Capes de Tese. Vamos apresentar os trabalhos feitos em universidades mineiras que foram premiados na edição 2017. São teses defendidas em 2016 e agraciadas com a honraria.

O prêmio consiste em diploma, medalha e bolsa de pós-doutorado nacional de até 12 meses para o autor da tese; auxílio para participação em congresso nacional, para o orientador, no valor de R$ 3 mil; distinção a ser outorgada ao orientador, coorientador e ao programa em que foi defendida a tese; além de passagem aérea e diária para o autor e um dos orientadores da tese premiada para que compareçam à cerimônia de premiação.

A premiação é dividida por grandes áreas: de Ciências Biológicas, Ciências da Saúde e Ciências Agrárias; Engenharias, Ciências Exatas e da Terra e Multidisciplinar (Materiais e Biotecnologia); Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes e Ciências Sociais Aplicadas e Multidisciplinar (Ensino).

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Categories: Pesquisa

A narrativa como jornada do escritor

Thu, 11/16/2017 - 08:00

Narrar o mundo também é viver!

Eis a máxima capaz de definir, de modo sucinto (porém, fascinante), os princípios por trás da disposição intelectual de Christopher Vogler, responsável por este clássico acerca da “jornada do escritor”.

Resultado de décadas de investigação do autor – que também atua como consultor de histórias em Hollywood e ministra aulas para roteiristas e escritores –, a obra realiza vasta análise da arte de produzir narrativas, com base em inúmeros filmes.

Os estudos de Vogler, na verdade, remontam ao também clássico O herói de mil faces, no qual Joseph Campbell define a chamada “jornada do herói”. Trata-se, em suma, de “estrutura presente nos mitos e replicada em toda as boas histórias já contadas e recontadas pela humanidade”.

Nesta nova edição de A jornada do escritor – Estrutura mítica para escritores, há, ainda, belas ilustrações de Michele Montez. As imagens aparecem em cada “movimento” da obra, com títulos bastante sugestivos, como “Mapeamento da jornada”, “Os arquétipos”, “A provação” e “Confiança no caminho”.

Leia um trecho:“Em princípio, apesar de sua variedade infinita, a história de um herói é sempre uma jornada. Um herói abandona seu ambiente confortável e comum para se aventurar em um mundo desafiador e desconhecido. Pode ser uma jornada ao exterior, a um lugar de verdade: um labirinto, uma floresta ou caverna, uma cidade ou país estrangeiro, um novo local que se converte em arena para seu conflito com forças antagônicas, contestadoras.” Ficha técnica:

Livro: A jornada do escritor – Estrutura mítica para escritores
Autor: Christopher Vogler
Editora: Aleph
Tradução: Petê Rissatti
Ilustrações: Michele Montez
Páginas: 486
Ano: 2015

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Categories: Pesquisa

Aberta inscrição para prêmio de fotografia científica

Tue, 11/14/2017 - 08:37

É pesquisador ou fotógrafo e tem prática com fotografia científica?

Trabalha com imagens incríveis com temática de ciência e quer compartilhar?

Ao longo do mês de novembroGrupo de Usuários da Comunidade Wikimedia no Brasil organiza um concurso de fotografia internacional, chamado Wiki Science.

Os participantes devem fotografar temas relacionados a ciência e enviar as fotos ao Wikimedia Commons, sob uma licença livre. O objetivo é fomentar a criação e distribuição livre de imagens sobre a ciência.

Esse concurso foi idealizado na Estônia em 2006 e estendido para a Europa em 2015. Essa será a primeira vez que o concurso será realizado no mundo inteiro.

Foto de Olga Y. Kulikova em seu trabalho de campo / Via Wikimedia Commons

O que é Wikimedia?

Wikimedia é uma plataforma dedicada a coletar e compartilhar conteúdo educacional livre. É o sétimo site mais acessado de todo o mundo.

Sendo de livre acesso, ou seja, que permite reutilização das imagens, é uma plataforma excelente para divulgar a ciência e fotografias sobre ciência.

Como participar?

A competição Wiki Ciência terá dois níveis: uma competição local em cada país participante e uma competição internacional entre os melhores de cada país.

A competição fotográfica busca fomentar a formação de relações saudáveis e sustentadas entre cientistas e a comunidade Wikimedia.

Acesse o site, leia as regras e participe! CNPq promove prêmio de fotografia

Imagens produzidas por câmeras fotográficas ou instrumentos especiais também podem ser premiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Pesquisadores que trabalham com registros fotográficos de suas pesquisas podem se inscrever no VII Prêmio Fotografia-Ciência e Arte até o dia 19 de janeiro de 2018.

São premiados os três primeiros colocados em duas categorias: Imagens produzidas por câmeras fotográficas e Instrumentos especiais, como lupa, microscópio, telescópio, dentre outros.

O primeiro lugar de cada categoria recebe R$ 8 mil. O segundo e o terceiro recebem, respectivamente, R$ 5 mil e R$ 2 mil. Além disso, o primeiro colocado de cada categoria participará da 70ª Reunião Anual da SBPC, em julho de 2018, que acontecerá em Alagoas.

Mais informações e inscrições na página do Prêmio na internet.

O Prêmio

O objetivo do Prêmio de Fotografia – Ciência & Arte é fomentar a produção de imagens com a temática de Ciência, Tecnologia e Inovação.

O prêmio contribui com a divulgação e a popularização da ciência e tecnologia e ainda amplia o banco de imagens do CNPq.

Também revela talentos e associa tecnologias tradicionais e inovações eletrônico-digitais à produção de imagens.

Bons cliques!

Via CNPq e WikiCiência.

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Categories: Pesquisa

Ciência e cervejas especiais: conheça grupo de pesquisa dedicado ao tema em Minas

Mon, 11/13/2017 - 13:01

Prepare-se para conhecer uma turma de cientistas da cerveja. É isso mesmo, gente que está na universidade pesquisando processos de produção, tecnologias de bebidas e mercado das cervejas especiais. Pesquisadores da Universidade Federal de São João Del-rei (UFSJ), campus Sete Lagoas, entraram de cabeça nas investigações sobre o assunto e agora se firmam como referência no campo.

Foto: Divulgação/Grupo de Pesquisa em Cervejas Especiais

No fim de 2015, os cientistas criaram o Grupo de Estudos em Cervejas Artesanais (GCERVA). Em 2016, nasceu o Grupo de Pesquisa em Cervejas Especiais, pertencente ao Diretório de Pesquisas do CNPq. O GCERVA se reúne semanalmente com intuito de discutir os assuntos relacionados à produção de cerveja artesanal sobre orientação dos professores Mateus Junqueira, Andréia Marçal e Juliano Cury. Tem a participação alunos, principalmente, do curso de Engenharia de Alimentos, embora não seja restrito a ele.

“O grupo surgiu de numa necessidade de conhecer mais sobre o assunto. Dentro da disciplina de Tecnologia de Bebidas, os alunos da engenharia têm bastante contato com o universo da cerveja, porém com estudos restritos a tecnologias de processo. Vimos a necessidade de ampliar o conhecimento, porque consumo de cerveja artesanal mudou muito nos últimos 10 anos”, explica o professor Mateus Junqueira.

Segundo o pesquisador, o consumidor nacional e, principalmente, o público mineiro está em busca de informações sobre esses produtos que, atualmente, estão mais disponíveis para compra. Para Mateus, as cervejas comuns produzidas pelos grandes conglomerados terão espaço sempre garantido no mercado, pois o Brasil precisa da “cerveja refrescante”, no entanto as artesanais chegaram para ficar.

UFSJ tem Grupo de Pesquisa em Cervejas Especiais. Pesquisadores também produzem cervejas. Foto: Divulgação

Estudos e eventos

O grupo de pesquisa tem se destacado em relação à extensão das atividades à sociedade, convidando pessoas ligadas à produção de cerveja artesanal em Minas Gerais para ministrar palestras, participando de eventos da cidade ligados ao tema e organizando eventos acadêmicos abertos à comunidade externa.

“A gente discute toda semana temas sobre processo e mercado. Estudamos matéria-prima, temperatura de fermentação e maturação, influência da qualidade de água na fabricação, origem das cervejas e estilos. A gente sabe que a cerveja no mercado brasileiro é dividida em algumas escolas cervejeiras – americana, alemã, inglesa e belga. Os estudos são importantes para pensar como o Brasil está se definindo nessas linhas”, conta o professor.

Atividades do Workchopp de Cultura Artesanal Cervejeira. Foto: Divulgação/Grupo de Pesquisa em Cervejas Especiais

Um dos eventos organizados pelo grupo é o Workchopp de Cultura Artesanal Cervejeira, que já teve duas versões, uma em novembro de 2016 e outra em julho de 2017. O público, composto de estudantes e participantes de fora da universidade, aproveitou cursos e palestras de mestres cervejeiros de renomadas microcervejarias mineiras. O evento também contou com sommelier de cervejas, representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), de empresa de insumos de higienização e sanitização.

De acordo com o professor Mateus Junqueira, muitos estudantes que participaram de discussões no grupo de pesquisa desenvolveram trabalhos de iniciação científica ou conclusão de curso relacionados às cervejas. Tem pesquisador investigando quantidade de milho na bebida e amargor. Outros estão desenvolvendo cerveja sem glúten a partir do sorgo e bebida fabricada com leveduras de frutos coletados na Zona da Mata de Minas – um foco total em insumos regionais. Alguns estudantes foram trabalhar em cervejarias e outros estão fazendo seus produtos especiais para submeter a concursos cervejeiros.

Foto: Divulgação/Grupo de Pesquisa em Cervejas Especiais

Minas é o lugar!

Para o professor, a cultura cervejeira de Minas é um fator essencial para o desenvolvimento das pesquisas na UFSJ. “O fato de estar em Sete Lagoas, perto de BH e Nova Lima, onde há muitas cervejarias e público consumidor, ajuda muito. Esses estudos são bem vistos pela UFSJ e pela comunidade acadêmica. É um grupo com grande circulação de alunos, atém mesmo os que não bebem cerveja, mas enxergam o produto como uma oportunidade de empreender. Quanto mais conhecimento, maior a chance de sucesso no futuro. Conhecer muito de processos e matéria-prima é sempre válido”.

Lucélio Ambrósio Araújo Nascimento. Ele venceu, em 2016, o 1º Concurso de Cervejeiros Caseiros do Festival de Cervejas Artesanais de Tiradentes TremBier. Foto: Divulgação

Mais que um produtor, um cientista da cerveja

Um dos estudantes do curso de Engenharia de Alimentos que participa do grupo e já empreendeu na produção de cervejas, é o Lucélio Ambrósio Araújo Nascimento. Ele venceu, em 2016, o 1º Concurso de Cervejeiros Caseiros do Festival de Cervejas Artesanais de Tiradentes TremBier, direcionado para produtores artesanais.

“Sempre tive vontade de conhecer mais sobre cervejas e fui tomando gosto pela coisa. Experimentei e testei ideias, para fazer algo diferente. Tive bastante ajuda acadêmica nas minhas produções. Até mesmo em relação a processos, com os encaminhamentos da faculdade fica mais fácil. A maioria das pessoas faz cerveja sem entender do processo e as transformações que estão acontecendo ali a bebida. O meu diferencial foi esse, ter o conhecimento”, conta Lucélio.

A receita premiada em Tiradentes tem ingredientes regionais de Minas e maracujá. Com o prêmio, a carreira de Lucélio impulsionou e ele partiu para a profissionalização. No entanto, o estudante decidiu seguir os caminhos a ciência:

“Eu estava nessa área de produção, mas comecei a observar o mercado e acabei me enveredando mais pelo lado da ciência, afim de estudar os processos. O grupo de estudos da UFSJ ajudou muito nisso. Na engenharia, temos uma matéria em que estudamos cerveja e destilados, por isso muitos estudantes se interessam. Hoje, no grupo, os estudantes procuram produzir cerveja, mas também levar conhecimento para Sete Lagoas e Região Metropolitana de Belo Horizonte”.

Me dá mais satisfação divulgar o conhecimento do que a produção da cerveja em si.”. Foto: Divulgação

Divulgação do conhecimento

Lucélio formou-se como sommelier e tem trabalhado muito com harmonização, além de dar palestras e cursos. “Me dá mais satisfação divulgar o conhecimento do que a produção da cerveja em si. Eu levo a informação para as pessoas, consigo em encantar com a fala. Alguns cursos terminam com as pessoas pensando: nem sabia que tinha tanta coisa legal de cerveja tão perto de mim. BH ainda tem um público que não conhece cerveja artesanal”, explica.

Foto: Divulgação

Junto com outros pesquisadores, ele está trabalhando para levar ao maior número de pessoas as informações. “Tenho promovido a cerveja artesanal e queijos mineiros. Temos variações ricas na gastronomia mineira e precisamos passar isso além de BH e região. Estou com um projeto de levar conhecimento para o interior. Eu nasci em Piraúba, cidade com cerca de 15 mil habitantes – na Zona da Mata de Minas. Lá a cultura da cerveja artesanal é para pequena parcela da população que tem acesso. Quando ganhei a premiação muita gente experimentou a cerveja especial. Isso é muito bacana”, conta Lucélio.

Ciência da cerveja

Segundo os pesquisadores, a ciência da cerveja está, principalmente, nos padrões de produção: temperatura e tempo de fermentação. “As pessoas sabem que precisam aquecer a 68 graus, mas não fazem ideia do motivo dessa temperatura. É importante saber que naquele momento estão sendo ativadas enzimas que auxiliam no processo. Se a cerveja deu certo tem um motivo e se deu errado, também. O conhecimento melhora a eficiência e reduz o erro”, explica Lucélio.

A ciência também está no cuidado com insumos. “Hoje em dia a gente recebe leveduras da Alemanha. Imagina o transtorno até chegar no Brasil? O cuidado com a matéria prima ajuda muito. O armazenamento é fundamental. Já vi dono de loja de insumo guarda o lúpulo de forma errada e isso faz toda a diferença no produto final”, conclui Lucélio.

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2 anos do desastre em Mariana: como a ciência pode ajudar?

Tue, 11/07/2017 - 09:03

No último domingo, 5 de novembro, completaram-se dois anos da tragédia da barragem de minérios em Mariana. Ainda é longo o caminho a ser percorrido. Vítimas permanecem no aguardo de indenizações e da reconstrução de seus lares.

Do ponto de vista da ciência, divulgamos aqui diversas iniciativas de pesquisa sobre mineração, biodiversidade do Rio Doce e recuperação das áreas destruídas.

Em 2016, a Fapemig lançou a chamada CAPES-FAPEMIG-FAPES-CNPq-ANA de Apoio a Redes de Pesquisa para Recuperação da Bacia do Rio DoceO objetivo foi apoiar projetos de pesquisa de caráter interdisciplinar, desenvolvidos em rede.

A união de diferentes instituições serviu para pensar, propôr e desenvolver soluções relacionadas à recuperação do Rio Doce.

O resultado desse edital foi publicado em julho de 2017. Como o tempo da ciência é diferente do tempo das notícias, ainda é cedo para colher os frutos dessas propostas.

Enquanto isso, você pode ler os textos que selecionamos abaixo. São pesquisas que já estavam em andamento antes mesmo da tragédia.

Tais estudos podem lançar novas perspectivas para a mineração e a recuperação das áreas destruídas.

Finit 2017: Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) apresentou novos materiais desenvolvidos a partir dos rejeitos da mineração

Pesquisas antes e depois da tragédia

Na edição nº 68 da Minas Faz Ciência, publicamos uma reportagem em defesa de uma nova mineração. Na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), o grupo Reciclos há anos estuda propostas de reutilização de rejeitos como alternativa às barragens de minério.

No Ondas da Ciência, entrevistamos o professor Daniel Cardoso de Carvalho sobre possibilidades de recuperação da bacia do Rio Doce. Antes do desastre, Daniel havia finalizado uma extensa coleta de amostras de mais de 300 peixes da Bacia do Rio Doce para caracterização genética. Esse acervo tem informações cruciais para a recuperação da biodiversidade no local.

Além disso, em 2016, quando a tragédia completou um ano, divulgamos aqui o lançamento do livro infantil “Um dia, um rio”, do escritor Leo Cunha.

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Categories: Pesquisa

Drogas e Autonomia: ciência, diversidade, política e cuidados

Mon, 11/06/2017 - 10:07

Belo Horizonte vai receber esta semana um importante debate sobre: Drogas e Autonomia – ciência, diversidade, política e cuidados. A PUC Minas sediará o 6° Congresso Internacional da Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas (Abramd). O evento é uma promoção da Abramd com apoio da CAPES, CNPq, FINATEC e FAPEMIG.

O Minas Faz Ciência entrevistou Rubens de Camargo Adorno, presidente da Abramd e professor da USP. Ele falou um pouco sobre os debates que vão acontecer no congresso: consequências do aumento do uso de drogas prescritas e ilícitas, impacto do consumo dessas substâncias na saúde, políticas públicas propostas para reduzir os danos às pessoas que fazem uso de drogas e desafios dos profissionais que atuam nessa área.

Foto: Arquivo pessoal

Entrevista

MFC: Por que debater drogas e autonomia?

Professor: a palavra droga sempre – como aparece na mídia ou como entendemos no meio acadêmico – está associada às drogas consideradas ilegais ou ilícitas. Dessa forma, a palavra é carregada de um forte conteúdo de origem moral. No entanto, as drogas não são apenas as drogas ilícitas. Álcool e fumo, por exemplo, têm um consumo imenso no Brasil, além das drogas prescritas – como medicamentos. O Brasil figura entre os maiores consumidores de psicoativos farmacêuticos no mundo. Precisamos falar sobre esse consumo muito alto de drogas, não essas demonizadas.

Um segundo ponto é que, as drogas ilícitas sofrem grande manipulação política. São usadas com um sentido político, principalmente de apontar determinados fatos, como o caso das populações de rua. O grande problema dessas pessoas é a exclusão social. De alguma forma, tudo é focalizado como se eles vivessem na condição de rua por causa somente das drogas. A droga também é motivo, mas há um contexto recheado de outros fatores.

Quando a gente fala de drogas, há um olhar sanitarista. Num sentido pejorativo, a gente sempre fala do uso pelos pobres, como se a classe média e a elite não fossem grandes consumidores de drogas ilícitas e lícitas. Muitas vezes, esse consumo aparece como um dispositivo médico da saúde, estimulado como forma de cuidado e está presente em todas as classes sociais.

Outro elemento importante no debate é o proibicionismo e classificação de determinadas drogas como sendo as mais perigosas. Estudos mostram que qualquer droga ou medicamento, dependendo do estado da pessoa consumidora, pode ter grandes riscos. A política proibicionista escolhe um conjunto de drogas sobre as quais realiza uma imagem demonizadora e exerce repressão. A repressão acaba por promover muito mais essas drogas. Em determinados territórios, fomenta as organizações que vendem essa droga clandestina.

É importante também falar sobre as pessoas que têm uso problemático de drogas. A saúde pública faz distinção entre usos e pessoas que têm problemas de uso. Uma parte pequena da população desenvolve problemas de uso – obsessivo ou abusivo. Na esfera política, essas pessoas vão ser cuidadas com base na ideia de redução de danos. Serão cuidadas com diálogo, terapias baseadas na escuta, intersubjetividade, psicoterapias, terapias sociais. A partir desses métodos, encontram-se os meios de controlar e reduzir o uso de drogas. Esse modelo de política pública se desenvolveu na Europa, sendo reproduzido em outros lugares do mundo.

Há também a política de internação e encarceramento, originária do século XIX. Historicamente, foi usada por quem estava no poder dominante para se livrar das pessoas indesejáveis, uma medida política e autoritária. O que se demonstra é que essa política tem baixo sucesso no controle dos usos abusivos. Em uma pesquisa que fiz, recentemente, na periferia sul de São Paulo, encontrei jovens internados mais de 10 vezes num processo de “bate-volta”. Ao uso compulsivo acaba sendo imposta uma atitude de pressão e opressão. Há um circuito de opressão constante e a primeira válvula de escape é retomar ao uso compulsivo.

Enfim, esses pontos que coloquei trabalham o tema drogas e autonomia. Da saúde à segurança pública, existe um contexto complexo. Existe uma constante opressão e vigilância, estimulando alguns usos e condenando outros. As pessoas são expostas a alguns consumos e outros, em contrapartida, são reprimidos e castigados.

MFC: Como a ciência contribui para os debates sobre o uso de drogas na sociedade contemporânea?

Professor: a Abramd tem como lema ciência e diversidade, por isso incentiva os debates. Eu penso que a ciência, muitas vezes, está aprisionada a determinados paradigmas cartesianos e tradicionais nesse campo das drogas. Há um olhar limitado sobre as drogas consideradas ilícitas – algo muito voltado para a psiquiatria tradicional. É preciso pensar além disso, no fato de que o consumo é um ato social, humano. Portanto, um conjunto das Ciências Humanas têm muito o que falar disso: unindo psiquiatria, psicologias, sociologias, antropologias para um campo mais compreensivo.

O problema do uso de drogas envolve mercados legais e ilegais; dispositivos médicos; contextos sociais, étnicos, geracionais; e questões territoriais. A posição da Abramd é estimular discussões com olhares multidisciplinares. A construção de saberes da ciência é estruturado a partir de políticas de poder no campo científico. Por isso, escolhemos um olhar multidisciplinar que trata a questão como complexa, capaz de atravessar classes, sujeitos e territórios.

Por exemplo, a antropologia costuma entrar em contato com o saber de cada um. Cada pessoa ou comunidade tem um saber e o papel da ciência é recuperar esses saberes. A pessoa com uso problemático de drogas é a primeira a desenvolver um saber sobre o uso e os efeitos. Na perspectiva tradicional da ciência, não se considera o saber do próprio usuário. Hoje, outras perspectivas dão voz aos usuários, pois esse conhecimento é extremamente importante para a compreensão dos usos como fenômeno social.

Congresso

Entre os dias 7 e 10 de novembro, o evento reunirá especialistas nacionais e internacionais para discutir a questão do uso das drogas lícitas e ilícitas. Ao todo, oito conferências, dezoito mesas, um Fórum Especial, lançamentos de livros e cerca cem palestrantes irão aprofundar o debate. O evento contará com palestrantes da França, Portugal, Espanha, México, Colômbia, Argentina e Chile.

As inscrições para o 6º Congresso Internacional da Abramd poderão ser feitas no durante o evento. Podem participar professores e pesquisadores, profissionais de instituições de tratamento, prevenção, da educação, de políticas públicas, terceiro setor (ONG´s, associações, OSCIPS) que atuam no campo do álcool e outras drogas. Mais informações no site.

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Finit 2017 confirma a paixão dos mineiros pela tecnologia

Fri, 11/03/2017 - 15:15

O engenheiro Leonardo Perdigão gosta de montar e desmontar coisas desde criança, e escolheu a oficina de montagem de brisador oferecida pelo P7 Criativo.

Em pleno feriadão de Finados, era de se esperar que os mineiros de Belo Horizonte estivessem envolvidos em atividades de lazer ao ar livre ou passeios fora da capital. Mas a presença na Finit 2017 superou todas as expectativas!

Famílias, jovens e grupos de amigos encheram os pavilhões do Expominas, lotando estandes e aproveitando as dezenas de atividades da Feira mais Inovadora de Tecnologia da América Latina.

Um destaque da programação do feriado foi a Mini Maker Faire, que ocupou parte da Arena Criativa. Além de conhecer o trabalho dos makers (falamos de alguns deles no Minas Faz Ciência Infantil), quem passou por lá podia se inscrever em oficinas de projetos faça-você-mesmo.

As oficinas, idealizadas por Márcia Andrade do Carmo de Azevedo, foram oferecidas pela P7 Criativo, agência de desenvolvimento sem fins lucrativos que reúne Governo de Minas Gerais, Codemig, Sebrae Minas, Sistema Fiemg, Sedectes e Fundação João Pinheiro. O objetivo é integrar toda a indústria criativa do Estado e fazer dela referência no Brasil e no mundo.

Do ensino médio para os negócios

Outro aspecto interessante da Finit 2017 é a exposição de projetos ainda em fase inicial de desenvolvimento em busca de financiamento.

Os jovens Milton Jr. e Carlos Randow apresentaram seu Bobby, um projeto de alimentador automático para cães com acesso remoto, que pode ser controlado por meio de um aplicativo para celular.

A ideia do Bobby surgiu ainda no ensino médio, enquanto cursavam o IFMG, em Sabará, e participaram da Olimpíada de Inovação dos Institutos de Minas Gerais.

“Ficamos em segundo lugar na Olimpíada e resolvemos levar o projeto adiante. Nosso primeiro protótipo sai por R$1.000,00 porque o custo de produção é de cerca de R$550. O objetivo é conseguir apoio para reduzir este custo e tornar o sistema mais acessível”, explica Milton.

No estande da Mini Maker Faire, os jovens Carlos Randow e Milton Jr. apresentam seu projeto Bobby, de controle remoto de água e comida para animais de estimação

“Ser inventor é ajudar pessoas a melhorar os processos do dia a dia”. Milton Jr, criador do Bobby, alimentador automático para cães.

Tecnologia aliada da acessibilidade

Também do ensino médio, os estudantes Lucas Cefas, Heber Lacerda, Izabella Caroline e João Paulo Alvarenga apresentavam o Sensorial Stick. Esta bengala tecnológica foi idealizada para facilitar a vida de pessoas cegas.

O projeto de robótica conclusão de curso do ensino técnico do Cotemig vai além da programação. “Observamos as dificuldades de pessoas cegas nas ruas de BH e nossa intenção foi ajudar. O protótipo tem sensores que vibram para alerta sobre perigos do caminho, desde buracos até galhos de árvore”, explica Lucas.

Além da bengala inteligente, o grupo desenvolveu um site e um mapa em aplicativo. O app identifica buracos, pontos de ônibus e outras referências dos locais de circulação das pessoas cegas.

Os estudantes esperam conseguir financiamento para produção em larga escala.

Estudantes demonstram o protótipo de bengala inteligente que visa a facilitar a circulação de pessoas cegas pela cidade

Além desses, dezenas de outros grupos de estudantes, makers e empreendedores apresentam seus trabalhos na Finit 2017.

Amanhã (sábado, 4 de novembro) é o último dia! Não deixe de participar. A entrada é gratuita!

Confira a programação em finitmg.com.br.

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Desafiando fronteiras em nome da ciência

Thu, 11/02/2017 - 12:42

O livro da coluna de hoje conta a história de um dos principais nomes da produção científica brasileira. Desafiando fronteiras, escrito pela historiadora Lígia Maria Leite Pereira, reconta a brilhante trajetória do mineiro José Israel Vargas.

Professor e pesquisador, também trabalhou como secretário de estado, em Minas Gerais, de 1977 a 1979, e ministro, entre 1992 e 1998, nas gestões dos presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Foi também embaixador do Brasil junto à Unesco.

Meu nome é “Ciência”

Nascido em Paracatu (MG), Vargas formou-se em química pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e, logo em seguida, ganhou o mundo. Como pesquisador, aprimorou-se em Cambridge, no Reino Unido, em Grenoble, na França, e em Moscou, na Rússia.

Além de muitas histórias sobre tais jornadas internacionais, o livro reaviva a caminhada do grande pesquisador em uma série de momentos relevantes, das descobertas do menino curioso às experiências do gestor de ciência.

Leia um trecho:“O fazer ciências é e sempre foi uma seara difícil de galgar em nosso país. Passamos muitos anos sem grandes incentivos para a área de desenvolvimento científico e pesquisas. Mas, não obstante os percalços, conseguimos destaques em campos particulares do avanço da ciência em nível mundial. Como é o caso do professor José Israel Vargas, que traz em sua vivência o pioneirismo e o compromisso com a modernização de várias áreas do conhecimento científico no Brasil, aliados ao desenvolvimento de estudos de interesse mais amplo.” Ficha técnica:

Livro: Desafiando fronteiras – Trajetória de vida do cientista José Israel Vargas
Autora: Lígia Maria Leite Pereira
Editora: Editora UFMG
Páginas: 415
Ano: 2015

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Entenda a desbraillização na educação especial de cegos

Tue, 10/31/2017 - 12:44

Paula Branco Morais iniciou sua trajetória na educação especial na década de 90, com a chegada de um filho cego.

“No momento da alfabetização dele, a escola me convidou para aprender o braille e auxiliá-lo no processo. Eu me encantei e procurei me aprofundar no assunto”.

Hoje, ela está à frente da Coordenação de Comunicação Assistiva: Libras e Braille da PUC Minas e conversou com a Minas Faz Ciência sobre inclusão, acessibilidade e novas tecnologias para o ensino de pessoas com deficiência.

Conversamos com Paula sobre o cenário da educação especial, os desafios e os caminhos a serem percorridos por educadores que querem um espaço mais inclusivo e acessível.

Minas Faz Ciência: Conte um pouco sobre sua trajetória na educação inclusiva

Paula em atividade na PUC Minas. Ao fundo, painel com o alfabeto em braille. Foto: Arquivo Pessoal

Paula Morais: Sou formada em Pedagogia e, na época da alfabetização do meu filho, fui convidada a trabalhar com projetos na Associação de Amigos do Instituto São Rafael (1998). Lá, tomei consciência de todas as questões ligadas à acessibilidade e à inclusão de pessoas cegas.

Passei por diversos cargos de supervisão pedagógica, braillista, professora de orientação e mobilidade itinerante, professora de estimulação precoce, adaptadora de material e vice-diretora.

No início dos anos 2000, fui em busca de uma especialização na área e concluí minha pós-graduação em Educação Especial (2001) e Educação Inclusiva (2003), depois fui dar aulas para o ensino superior.

Na PUC Minas, dou disciplinas ligadas ao Sistema Braille e à deficiência visual.

MFC: Como é seu trabalho atual na PUC e qual a interface com as questões tecnológicas?

PM: É um curso tecnólogo que forma Intérprete de Libras, Braillista e Guia Intérprete para dar suporte às pessoas surdas, cegas e surdocegas respectivamente.

Utilizamos tecnologias como a Língua de Sinais Brasileira (Libras), o Sistema Braille e Libras Tátil, Alfabeto Manual, dentre outros para a acessibilidade comunicacional do surdocego.

MFC: Sua pesquisa de mestrado trata do conceito de desbraillização, em que ele consiste?

PM: Desbraillização é um fenômeno que vem acontecendo atualmente, que consiste na subutilização do Sistema Braille em decorrência dos recursos tecnológicos em áudio.

Por uma série de fatores, tais como falta de preparo dos professore, tempo de produção e custos, o Sistema Braille tem sido substituído por recursos em áudio e até mesmo leitores humanos.

Um dos impactos é que o aluno com deficiência visual perde o contato com a palavra escrita, trazendo uma série de prejuízos para o seu processo educacional.

MFC: Diante desse cenário, quais os maiores desafios da educação especial e inclusiva hoje?

PM: A falta de formação dos professores, bem como a falta de acessibilidade dos espaços, representam um grande desafio para a inclusão de pessoas com necessidades especiais.

Mas o maior desafio é a falta de vontade e de interesse dos profissionais da educação para lidar com a inclusão. As leis existem, mas não são cumpridas, e os profissionais da educação não encaram essa situação como um desafio e sim como um problema.

Comemorações do Dia Nacional do Braille. Foto: acervo pessoal

MFC: O que há de mais inovador ou que tendências têm se fortalecido no ensino de estudantes com deficiência no Brasil?

PM: A tecnologia é, sem dúvida, uma grande aliada das pessoas com deficiência, promovendo o acesso à informação e facilitando a continuidade do processo educacional.

A mídia também traz uma grande contribuição com a disseminação de informações.

Mas, no meu entendimento, a universidade representa um espaço muito importante de formação, reflexão e de pesquisa para tornar a inclusão uma realidade.

Leia também sobre o uso de ferramentas táteis no ensino de física para pessoas cegas.

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Saiba o que você vai encontrar na FINIT 2017

Mon, 10/30/2017 - 08:00

Começa na terça-feira a Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia – FINIT 2017, no Expominas, em Belo Horizonte. Minas Gerais se destaca no cenário de inovação no Brasil e no mundo, por isso sedia o evento que já se consolidou como a feira mais inovadora da América Latina

A FINIT reúne em um só lugar, o público bem diverso: startups, grandes empresas, estudantes, pesquisadores, profissionais da área de tecnologia e interessados nas temáticas abordadas.

Entre e 31 de outubro e 4 de novembro, os participantes vão aproveitar os ambientes da Campus Party Minas Gerais, repleta de atividades para os campuseiros mineiros; a Arena de Negócios, conectando grandes empresas e startups; a Arena Experience, promovendo atividades de divulgação científica por parte de centenas de instituições nacionais e a Arena Criativa, um espaço dedicado à criatividade e inovação.

Esta é a segunda edição da FINT. Em 2016, a feira promoveu 500 horas de conteúdo com mais de 200 instituições envolvidas. No total, 50 mil visitantes compareceram ao evento.

O que vem por aí

A programação da feira é extensa. Na Arena de Negócios, por exemplo, 23 palestrantes estão confirmados. Entre eles Marcus Vinícius Ferreira (Amazon), Bernardo Carneiro e Janet Baireva (OLX), além de Mary Spio (CEEK VR). A FINIT reunirá grandes eventos em um só local. Confira:

Campus Party: evento de cultura geek que percorre o mundo levando palestras, workshops e gamers, apresentando as maiores novidades do mercado da tecnologia. Pela segunda vez, a Campus Party vai desembarcar em Belo Horizonte. Os campuseiros vivenciarão a maior experiência tecnológica do mundo nas áreas de ciência, games, empreendedorismo e entretenimento digital.

16ª Conferência de Inovação ANPEI:  fórum que reúne representantes de empresas, agências do governo e instituições de C,T&I para discussão e encaminhamentos de políticas e práticas voltadas à inovação nas empresas e no país. Haverá palestras com especialistas nacionais e internacionais, painéis simultâneos, experimentações, networking e apresentações de cases de inovação.

Maker Faire: evento será realizado pela Fiemg dentro do espaço Arena Criativa na FINIT. A edição é uma versão da maior feira de invenções do mundo. O Laboratório Aberto e os Fab Labs do Brasil também estarão presentes expondo maquinários e projetos com impressoras 3D, máquinas de corte a laser e máquinas de controle numérico computadorizado – CNC.

Tecnofeira Cotemig: exposição dos trabalhos selecionados de alunos do Colégio Cotemig. Durante os dias da feira o Cotemig expõe os protótipos e os alunos participam apresentando os produtos.

II Seminário Mineiro de Pesquisa e Inovação em Turismo (sempit): realizado pelo Observatório de Turismo de Minas Gerais e busca fomentar discussões sobre turismo e inovação, além de ampliar o campo de divulgação de artigos acadêmicos. Serão também apresentadas palestras ligadas ao tema.

100 Open Startups: conecta pessoas e instituições em torno de atividades ligadas à disseminação e prática da inovação aberta no Brasil. Elas se conectam por meio da plataforma on-line, onde se iniciam os contatos, resultando nos encontros presenciais na FINIT.

Com informações do Simi.

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Metais preciosos no lixo eletrônico

Fri, 10/27/2017 - 17:52

Em 2014, os brasileiros jogaram fora 1.400 toneladas de lixo eletrônico, segundo dados do Instituto Universitário das Nações Unidas para o Estudo Avançado da Sustentabilidade. Grande parte desse material é exportado como peças de baixo valor. Mas os eletrônicos poderiam ser reaproveitados e gerar lucro. A mineração urbana comporta processos que buscam metais preciosos nesses objetos do cotidiano.

Na UFMG, o grupo de pesquisa Soluções Integradas para Gestão de Resíduos (Sigers) investiga rotas para extração  de metais valiosos. O foco dos estudos é nas lâmpadas de LED.

Ondas da Ciência: recuperação de metais do lixo eletrônico

Nesse Ondas da Ciência, a coordenadora do grupo, professora Liséte Celina Lange, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG, fala das pesquisas na área. Ela discute as duas rotas de recuperação de gálio, índio e ouro trabalhadas no Sigers. Fala também de esquemas de logística reversa no Brasil.

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